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sábado, 9 de dezembro de 2023

O Último Gigante - In Memorian: Kirk Douglas

 

Poderosamente cativante

por Alexandre César 
(Postado originalmente em 09/ 12/ 2020)

A última lenda da Hollywood Clássica


"O Invencível" (1949) Sua primeira indicação ao Oscar num filme em que sua experiência de boxeador o ajudou a compor o personagem...


- As pessoas vivem falando sobre os velhos tempos. Elas dizem que os filmes antigos eram melhores, que os velhos atores eram muito melhores. Mas eu não penso assim. Tudo o que eu posso dizer sobre os velhos tempos é que eles passaram.”

Kirk Douglas

Com Richard Benedict no ainda atual "A Montanha dos Sete Abutres" (1951) drama sobre a manipulação da imprensa quanto aos fatos para conseguir audiência.


Dono de um “Olhar Penetrante” capaz de intimidar Dwayne Jhonson quando furioso e de um sorriso largo, luminoso que aliado a uma covinha indecente no queixo dava um tom cafajeste que cativava a plateia como poucos, capaz de ir do drama existencial mais denso passando para a comédia sutil e a mais escapista aventura rocambolesca. Boxeador, veterano de guerra, ator, cineasta, filantropo, ícone de uma época já quase esquecida, Issur Danielovitch, ou melhor, Kirk Douglas (Cidade de Amsterdam do Estado de Nova York, 9 de dezembro de 1916 – Beverly Hills, 5 de fevereiro de 2020) foi uma das últimas estrelas vivas da “Era de Ouro” do cinema Norte-americano. Douglas é amplamente considerado um dos melhores atores da história do cinema, sendo pai dos atores Michael Douglas e Eric Douglas e do produtor Joel Douglas.

 

Com Lana Turner em "Assim Estava Escrito" (1952) drama sobre os bastidores de Hollywood e sua segunda indicação.


O jovem Issur Danielovitch nasceu na localidade de Amsterdam, no estado de Nova York, filho de Bryna ("Bertha") Sanglel e Herschel ("Harry") Danielovitch, um homem de negócios. Seus pais eram imigrantes judeus originários da localidade de Chavusy (Mahilou/Mogilev), do então Império Russo, hoje Bielorrússia. No lar a família comunicava-se em iídiche. O seu tio paterno, que tinha anteriormente emigrado. usava o sobrenome "Demsky”, que a família de Douglas logo adotou após terem se estabelecido nos Estados Unidos. Entretanto, os seus pais acabaram por adotar legalmente os nomes Harry e Bertha.

 

Com Silvana Mangano em "Ulysses" (1954) divertida aventura épica baseada em Homero e na mitologia grega

Com Walt Disney durante as filmagens de "20.000 Léguas Submarinas"(1954)

Na St. Lawrance University, Douglas (ainda conhecido como “Izzy Demsky”) fez parte da liga de boxe. Para tentar conseguir uma bolsa de estudos, entrou para um grupo de atuação onde logo seus talentos se tornaram conhecidos - recebeu a bolsa junto com uma jovem atriz: Lauren Bacall.

 

No pungente drama de guerra "Glória Feita de Sangue" (1957) que alavancou a carreira do jovem diretor Stanley Kubrick


Trocou legalmente o nome de "Izzy Demsky" para "Kirk Douglas" antes de ingressar na Marinha dos Estados Unidos no início da Segunda Guerra Mundial em 1941 servindo até o seu fim, em 1945. Depois da guerra, voltou para Nova York e começou a atuar na rádio e em comerciais de televisão, enquanto tentava entrar para a Broadway

 

Como o torturado Vincent Van Gogh em "Sede de Viver" (1956) sua terceira indicação. Anthony Quinn levou a de Ator coadjuvante como Paul Gauguin


Douglas recebeu a ajuda da atriz e colega Lauren Bacall ao obter seu primeiro papel no filme O Tempo Não Apaga (1946) de Lewis Milestone, estrelado por Barbara Stanwyck. O resto foi decorrência e depois, história...


Como Doc Holliday em "Sem Lei e Sem Alma" (1957) de John Sturges, com o amigo Burt Lancaster como Wyatt Earp


Como o bárbaro Einar em "Vikings, Os Conquistadores" (1958) repetindo a parceria com o diretor Richard Fleischer


Ao longo de sua vasta filmografia Kirk Douglas recebeu apenas três indicações ao Oscar em em O Invencível (1949) de Mark Robson, Assim Estava Escrito (1952) de Vincent Minelli e Sede de Viver (1956) de Vincent Minnelli e George Cukor (não creditado). Neste último interpretou o pintor Vincent Van Gogh.

 

Duelo de interpretações: novamente com Anthonny Quinn e com o diretor John Sturges no Western "Duelo de Titâs" (1959)



Nas décadas de 1950 e 60 protagonizou vários filmes clássicos, como o repórter oportunista e manipulador de A Montanha dos Sete Abutres (1951) de Billy Wilder, o herói mitológico Ulysses (1954) de Mario Camerini, com Silvana Mangano, 20.000 Léguas Submarinas (1954) de Richard Fleischer, produção dos Estúdios Disney com a sua interpretação do marinheiro Ned Land em contraponto à magnífica atuação de James Mason como Capitão Nemo, O íntegro Coronel Dax do drama de guerra Glória Feita de Sangue (1957) de Stanley Kubrick e ainda o selvagem Einar em Vikings, Os Conquistadores (1958) de Richard Fleischer, com Tony Curtis, Janet Leigh e Ernest Borgnine

 

Com Woody Strode em "Spartacus" (1960) repetindo a parceria com Stanley Kubrick e desafiando a "Lista Negra" ao contratar e creditar o roteirista Dalton Trumbo, proscrito por suas posições políticas

Interpretou o herói épico Spartacus (1960) no qual também foi o produtor, ficando a direção a cargo de Stanley Kubrick, após Douglas ter demitido o veterano Anthony Mann a meio das filmagens, tendo interpretações memoráveis de Laurence Olivier, Peter Ustinov, Chales Laughton e Jean Simons. Douglas resolveu produzir o filme baseado no livro de Howard Fast (trazendo o banido pelo Macarthismo Dalton Trumbo para o roteiro) por ter perdido o papel de Ben-Hur (1959) para o colega Charlton Heston.


De novo com o amigo Burt Lancaster no tenso suspense político "Sete Dias de Maio", (1964) com roteiro de Rod Serling (Além da Imaginação").


Com Ann-Margret e um Arnold Schwarzenneger "Pré-Conan" em "Cactus Jack, o Vilão" (1979) clássico cartunesco da Sessão da Tarde


 Fez ainda nesta década entre vários outros filmes, a comédia criminal A Lista de Adrian Messenger (1963) de John Huston e o thriler político Sete Dias de Maio (1964) de John Frankenheimer, com Burt Lancaster e Fredric Marsh, foi um dos rostos do elenco estelar de Paris Está em Chamas?(1966) de René Clément ou o western Gigantes em Luta (1967) de Burt Kennedy com John Wayne, entre muitos outros filmes.

 

Papa-Anjo: Com a novinha Farrah Fawcett em "Saturno 3" (1980) Ficção científica de visual sofisticado

Douglas comprou os direitos de Um Estranho no Ninho na década de 1960, cuja peça de Dale Wasserman (baseada no livro de Ken Kesey) já havia interpretado e queria fazê-la nas telas, mas o tempo passou e como ficou velho para o papel de R.P. McMurphy, acabou por ceder os direitos ao seu filho Michael, que produziu o filme com reconhecido sucesso, dirigido por Milos Forman em 1975, que ganhou os Oscars de melhor filme (para os produtores Saul Zaentz e Michael Douglas), diretor (Mlos Forman), roteiro adaptado (Lawrence Hauben e Bo Goldman), ator (Jack Nicholson) e atriz (Louise Fletcher).

 

Como o comandante de um porta-aviões moderno que viaja no tempo em "O Nimitz Retorna ao Inferno" (1980)

 

Marcou ainda presença no imaginário pop em filmes como em filmes como O Farol do Fim do Mundo (1971) de Kevin Billington, baseado num conto de Jules Verne com Yul Brynner e Samantha Eggar, o “Bezão” apocalíptico Exterminação 2000 (1977) de Alberto de Martino, o horror A Fúria (1978) de Brian De Palma, com John Cassavetes e Amy Irving, a comédia Cactus Jack, o Vilão (1979) de Hal Needhan, com Arnold Schwarzennegger e Ann-Margret (parodiando o desenho Bom-Bom & Mau-Mau), na ficção científica com Saturno 3 (1980) de Stanly Donnen, com Farrah Fawcet e Harvey Keitel, e O Nimitz Volta ao Inferno (1980) de Don Taylor, com Martin Sheen e Katharine Ross,e o divertido Os Últimos Durões (1986) de Jeff Kanew com Burt Lancaster e Charles Durning, além de participações em filmes para a TV e séries como Contos da Cripta, O Toque de Um Anjo e Os Simpsons.

 

Despedida: Última parceria com o amigão Burt Lancaster na comédia "Os Últimos Durões" (1986)


No episódio "Yellow" de "Contos da Cripta" (1991), uma paródia de "Glória Feita de Sangue"


Nos últimos anos, Kirk Douglas ainda provaria ser na vida um “autêntico durão” ao escapar com o corpo todo queimado de um acidente de helicóptero (no qual os dois outros tripulantes morreram) e ainda sofreria um derrame em 1996, que afetou parcialmente sua capacidade de fala. Tratando-se com uma fonoaudióloga, ele conseguiu discursar como agradecimento à premiação do Oscar honorário de 1996 o qual recebeu pelas mãos de Steven Spielberg por "50 anos de modelo moral e criativo para a comunidade cinematográfica.". De uma lenda para outra (e uma desculpa da Academia de Artes e Ciências de Hollywood por nunca tê-lo distinguido com nenhum prêmio...).

 

Em 1994 no episódio "Bar Mitzvah" de "O Toque de Um Anjo"

Demonstrando ainda grande vigor, ele ainda em 2011, entregou à atriz Melissa Leo o Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme de melhor atriz coadjuvante pelo filme O Vencedor tendo sido uma das aparições mais marcantes da 83ª edição da festa da premiação.

 

Em 1996, a Academia lhe deu um Oscar pelo conjunto de sua obra (na verdade um pedido de desculpas disfarçado)


Douglas morreu em sua casa, em Beverly Hills, Califórnia, nos Estados Unidos, em 5 de fevereiro de 2020, aos 103 anos. Nada mal para o filho de um simples trapeiro* que se mostrou uma lenda nas telas e fora delas...

 

Com Anne Buydens, sua segunda esposa e companheira de caminhada num casamento de 65 anos


Em 2009 com a nora Catherine Zeta-Jones e o filho Michael, ator e produtor consagrado


*: O Filho do Trapeiro é o título de sua auto-biografia, escrita sem a ajuda de ghost-writers, indo fundo nas suas lembranças de uma infância pobre, de pais analfabetos, e a sua luta regada a uma desesperada vontade de sair da miséria para conquistar uma vida melhor, e que felizmente não o fizeram esquecer de suas origens.

 

As várias faces de uma lenda


 

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Talento Capturado - Andy Serkis

 


Interpretação em vários meios

por Alexandre César
(Originalmente postado em 24/ 09/ 2018)


Astro-referência na área de captura de performance

 

#PlanetaDosMacacos55Anos

 

Como Kazim, irmão de AliBabá em "As Mil e Uma Noites” filme para a TV dos Muppets (2000)


Ele é o melhor e o menos anônimo de um trabalho naturalmente anônimo no cinema, cujos expoentes não costumam ser conhecidos pelos fãs da 7ª Arte - tirando, claro, aqueles mais fanáticos por making-offs e interessados pela magia da fantasia cinematográfica. Pode-se dizer que é ele o “rosto” de uma nova forma se criar atuações marcantes do ofício de ator. e também libertadoras, no sentido de desligar-se de si mesmo, tornar-se realmente um personagem. Este “rosto” é o do inglês Andy Serkis (⭐ 20 de abril de 1964, Londres).



"Jutland - Reinado de Ódio" (1994), com Christian Bale (centro)

 

Serkis é mais conhecido por seus papéis de captura de performance usados para complementar a ação de personagens criados em animações ou computação gráfica, como o Gollum - na Trilogia O Senhor dos Anéis (2001–2003) e O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012) - e o protagonista de King Kong (a versão de 2005), todos filmes dirigidos por Peter Jackson. Sua performance também foi capturada para a concepção do chimpanzé César na nova cinesérie Planeta dos Macacos (2011–17), do Capitão Haddock em (2011–17), do Capitão Haddock em As Aventuras de Tintin (2011, de Steven Spielberg) e do Supremo Líder Snoke nos primeiros dois filmes da nova trilogia de nos primeiros dois filmes da nova trilogia de Star Wars (Star Wars: O Despertar da Força, dirigido por J.J. Abrams em 2015 e Star Wars: O Último Jedi, dirigido por Rian Johnson em 2017).


Gollum: Os sensores do traje orientam a posição do corpo do personagem...

Seu trabalho na composição deste tipo de personagem foi aclamado pela crítica, ganhando um Empire Award e dois Saturn Awards por suas performances. Ganhou ainda uma indicação ao Globo de Ouro pelo seu desempenho como o serial killer Ian Brady no telefilme britânico Longford (2006, de Tom Hooper) e foi nominado para um BAFTA pela sua atuação como o mítico músico de punk rock e new wave Ian Dury no bioépico Sexo & Drogas & Rock & Roll (2010, de Matt Whitecross).

Como Richard, o amigo gay de Jennifer Garner em "De Repente 30" (2004)

A mãe do ator era uma inglesa que alfabetizava crianças desabrigadas e seu pai foi um ginecologista descendente de armênios nascido no Iraque. O nome original de seus ancestrais era "Sarkisian". Seu pai frequentemente trabalhava no Oriente Médio enquanto Andy e seus irmãos cresciam na Grã-Bretanha, com férias regulares no Oriente Médio incluindo Tibre, Sidon e Bagdá.

 

Trajado para fazer "King Kong" (2005): longo tempo de estudo e observação dos gorilas como base para viver o personagem


Serkis estudou artes visuais na Lancaster University, onde desenhava posters, e escolheu teatro como objetivo secundário, formando-se em 1985. Ele trabalhou na rádio estudantil Bailrigg FM e juntou-se ao Nuffield Studio, se envolvendo com o planejamento e produção de peças.

 

Como Lumpy, o cozinheiro da navio, seu outro personagem em "King Kong", perecendo na Ilha da Caveira...


Em paralelo, Serkis atuava em em diversas produções, mas tudo mudou depois que ele interpretou o papel principal na peça Gotcha, de Barrie Keeffe: um adolescente rebelde que ajuda um professor. Como resultado, ele mudou seu principal objetivo profissional. Começou a focar sua formação em atuação, estudando a obra de Konstantin Stanislavski e Bertold Brecht, passando a incluir menos artes visuais e gráficas em sua grade curricular. Ao final daquele ano ele adaptou para um show solo para teatro a sátira The Tin-Pot Foreign General and the Old Iron Woman, uma graphic novel de Raymond Briggs sobre a guerra das Falklands/Malvinas. Sua atuação foi aclamada.

 

Em "As Aventuras de Tintin" (2011) deu vida e voz ao Capitão Haddock. Pena que a baixa performance nos cinemas americanos cancelou as continuações...


Enquanto fazia uma pós-graduação em atuação, Serkis se uniu como ator a The Dukes, um grupo de arte que transformou uma antiga igreja em um teatro: o Duke’s Playhouse. Lá ele participou de workshops do diretor Jonathan Petherbridge, baseados nas teses do Teatro do Oprimido do diretor brasileiro Augusto Boal, e participou de uma ampla variedade de peças - obras de Willian Shakespeare, Berthold Brecht e autores britânicos modernos. Colaborou depois em diversas companhias itinerantes de teatro e voltou a se estabelecer em Londres, em 1990. Participou da produção de dois filmes do diretor Mike Leigh, e apareceu na comédia romântica  Loop (1997, de Alan Niblo) em companhia de Susannah York

 

David Tennant e Andy Serkis em "Eisntein e Edington" (2008): filme sobre os grandes cientistas em sua busca sobre a Teoria Geral da Relatividade.


 

Como muitos atores britânicos, Serkis fez a transição para a televisão em pequenos papéis em várias séries, destacando-se uma versão de Oliver Twist em 1999 e, anos mais tarde, em Einstein e Edington (2008, de Phillip Martin), uma produção BBC/HBO em que interpretou o cientista Albert Einstein ao lado de David Tennant (Doctor Who), que atuou como o cientista britânico Sir Arthur Edington

 

Com Simon Pegg em "Burke & Hare" (2010)


Serkis só veio a ser conhecido do grande público por sua performance como Sméagol/ Gollum na trilogia O Senhor dos Anéis, (2001–2003), que forneceu captura de movimentos e a voz para o personagem digital, que iniciou um debate sobre a legitimidade da atuação assistida por CGI. Alguns críticos sentiram que Serkis poderia ter indicado para o Oscar de melhor ator coadjuvante, uma vez que sua voz, linguagem corporal e expressões faciais foram usados. Serkis publicou suas memórias sobre suas experiências interpretando Gollum na trilogia de filmes O Senhor dos Anéis, Gollum: How We Made Movie Magic, publicado em 2004. No mesmo ano apareceu como o amigo gay de Jennifer Garner em De Repente 30 de Gary Whinick e trabalhou em vídeos musicais de Neneh Cherry e do grupo Coldplay como consultor de captura de performance. Foi aclamado pela crítica por seu trabalho de captura de movimento em muitos outros filmes, incluindo o personagem título da versão de 2005 de King Kong (e interpretando também Lumpy, o cozinheiro do navio). 

 

Como o Sr. Grin em "Alex Ryder Contra o Tempo" (2006)


Em 2006, Serkis apareceu no papel de Sr. Grin em em Alex Ryder Contra o Tempo (de Geofrey Sax); como Mr. Alley, assistente de Nikola Tesla (David Bowie) em O Grande Truque (de Christopher Nollan); como a voz de Spike, um dos ratos capangas da animação Por Água Abaixo (de David Bowers e Sam “Skiptrace” Fell); e o serial killer Ian Brady no telefilme Longford (de Tom Hooper). 

 

Como o assistente de Nikola Tesla (David Bowie) em "O Grande Truque" (2006)


Em 2007 atuou em Rendição Extraordinária (de Jim Threapleton) e no thriller urbano urbano Sugarhouse (de Gary Love) onde interpretou o senhor do crime Hoodwink, que aterroriza o leste de Londres. Para o papel raspou o cabelo e levou 20 horas na sala de maquiagem fazendo tatuagens falsas em todo o corpo. No mesmo ano cedeu a voz para narrar a série-documentário Monkey Life para o canal Animal Planet sobre o popular santuário de símios e macacos próximo de Wool, Dorset. Também trabalhou com os desenvolvedores de games nos jogos Ninja Theory e Heavenly Sword, fazendo a voz e atuando em captura de performance para as cenas do Rei Bohan, principal vilão do game.

 

Como Rei Bohan, vilão do game "Heavenly Sword" (2007


Em 2008, apareceu como o vilão Capricórnio em Coração de Tinta (de Iain Softley). Em 2009, Serkis reuniu-se novamente a Peter Jackson em em As Aventuras de Tintin, projeto de Jackson e Steven Spielberg baseado no personagem dos quadrinhos franco-belgas. O filme só ficou pronto em 2011. Serkis supriu a voz e a captura de performance do Capitão Haddock (usando sotaque escocês) e de seu ancestral Sir Francis Haddock.

 

Como o Lorde do Crime de "Sugarhouse" (2007).


Em 2010, Serkis, junto com Simon Pegg, fez a comédia de humor negro Burke & Hare (de John Landis) baseado nos assassinatos perpetrados na Escócia em 1828 pela dupla William Burke e William Hare, que matavam e vendiam corpos para as escolas de medicina. Também interpretou o músico new wave dos anos 1970 Ian Dury em Sexo & Drogas & Rock & Roll (de Mat Whitecross) e apareceu ao lado de Sacha Baron Cohen em em The Jolly Boy´s Last Stand (de Christopher Payne). Mas seu destaque no ano foi sua interpretação do chimpanzé César em Planeta dos Macacos: A Origem (de Rupert Wyatt). 


"Uma Razão para Viver" (2017). Estréia na direção em drama real


Aclamado pelo papel, Serkis foi o objeto de uma ação da Fox para a Academia indicá-lo ao Oscar de melhor ator coadjuvante. James Franco, seu parceiro no filme, declarou: declarou: "Andy Serkis é o mestre indiscutível do mais novo tipo de atuação chamado captura de performance. E é chegada a hora dele receber o crédito pelo artista inovador que ele é.” Ainda em 2010, interpretou Monkey, um dos principais personagens no videogame Enslaved: Odyssey to the West.

 

César: A nova cara da franquia "Planeta dos Macacos"


Em 2011 Serkis fundou, junto com o produtor Jonathan Cavendish, a sua própria produtora e empresa de captura, O Imaginarium Studio, sediada em Ealing, Londres, e dedicada à invenção de personagens digitais emocionalmente críveis utilizando a tecnologia da captura de performance na qual ele se especializou. Em 20 de outubro de 2012, o estúdio adquiriu os direitos de The Bone Season, romance de ficção científica da escritora britânica Samantha Shannon, além de um projeto futuro de adaptar A Revolução dos Bichos, de George Orwell

 

Como o músico punk rock/new wave Ian Dury em "Sexo & Drogas & Rock & Roll "(2010)


Além de reprisar o papel de Gollum de O Senhor dos Anéis na trilogia O Hobbit (2012-2014), também dirigida por Peter Jackson, ele também foi diretor de segunda unidade naqueles filmes, o que incluía direção de tomadas aéreas e cenas de batalhas.

 

Ulisses Klaw, no Universo Cinematográfico Marvel


Na mais recente versão do cinema norte-americano para Godzilla (2014, de Gareth Edwards), Serkis atuou como consultor das sequências de captura de performance, de forma a "controlar os ânimos" das criaturas. No mesmo ano, Serkis reprisou o seu papel de César em Planeta dos Macacos: O Confronto (de Matt Reeves), com ótima resposta de público e crítica


Como o sombrio Lorde Snoke em "Star Wars: O Despertar da Força" (2017)


Na mais recente versão do cinema norte-americano para Godzilla (2014, de Gareth Edwards), Serkis atuou como consultor das sequências de captura de performance, de forma a "controlar os ânimos" das criaturas. No mesmo ano, Serkis reprisou o seu papel de César em Planeta dos Macacos: O Confronto (de Matt Reeves), com ótima resposta de público e crítica.

 

Como César, a força motriz da retomada da franquia "Planeta dos Macacos"


Em 2015, Serkis começou a interpretar Ulisses Klaw (o vilão Garra Sônica, nos quadrinhos) no Universo Cinematográfico Marvel, em Os Vingadores: A Era de Ultron (de Joss Whedon). No mesmo ano foi divulgado que ele estava trabalhando numa adaptação moderna do personagem de contos de fadas Rumpelstiltskin, intitulada, Steelskin, onde ele, além de estrelar, iria produzir e dirigir. Mas não houve mais novidades sobre o assunto.  

 

Como o urso Baloo em "Mowgli: Entre Dois Mundos" (2018), sua segunda direção


Ainda em 2015, Serkis iniciou sua participação em outra franquia cinematográfica de sucesso em Star Wars: O Despertar da Força (de J. J. Abrams), em mais uma trabalho de captura de performance e voz, atuando como o Lorde Snoke, o sombrio líder por trás da Primeira Ordem, a organização maléfica da vez, que quer dominar a galáxia. Ele retoma o personagem no filme seguinte da franquia - Star Wars: Os Últimos Jedi (de Rian Johnson).

 

Como diretor, fêz o que pôde em "Venon: Tempo de Carnificina" (2021)

 
Seguiu-se Planeta dos Macacos: A Guerra (2017, de Matt Reeves), o último desta nova trilogia da franquia, e ainda fez a sua estréia na direção no filme Uma Razão para Viver, drama com Andrew Garfield e Claire Foy.
 

Como Alfred, mordomo de Bruce Wayne em "O Batman" (2022) de Matt Reeves

 

Em 2018 foi a vez de Pantera Negra de Ryan Coogler, onde reprisa o papel de Klaw, e fêz seu debut como diretor em Mowgli: Entre Dois Mundos, veiculado pela Netflix (não confundir com a versão da Disney, dirigida por Jon Favreau) onde interpreta o urso Baloo, seu último trabalho de captura de performance. 

 

Serkis orientou o ator Noah Centino (Esmaga-Átomo) na sua captura de performance em "Adão Negro" (2022)

Posteriormente dirigiria Venon: Tempo de Carnificina (2021) dando prosseguimento às aventuras do simbionte alienígena, e repetiria a parceria com Matt Reeves ao interpretar o mordomo Alfred Pennyworth em O Batman (2022) além de orientar o ator Noah Centino na sua captação de performance como o Esmaga-Átomo em Adão Negro de Jaume Collet-Serra.


Com Diego Luna em "Andor" numa atuação poderosa como Kino Loy, um líder prisioneiro que acredita em obedecer às regras do Império

Na vida pessoal, Serkis casou-se com a atriz Lorraine Ashbourne em julho de 2002. Vive em Crouch End, norte de Londres com sua esposa e seus três filhos: Ruby, Sonny e Louis (nascidos em 1998, 2000 e 2004).

Apesar de filho de pais católicos, Serkis tem sido um ateísta desde a sua adolescência. Segundo suas palavras, ele é "guiado pelas possibilidades da transferência de energia", especificamente "a idéia de que a sua energia continua vivendo depois de você". Energia essa, que acreditamos dificilmente se dissipará no caso desse incansável pioneiro mochileiro do desconhecido...

 

A Caminhada Evolucionária...