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quinta-feira, 23 de março de 2023

Sangrenta Conclusão - Crítica – Filmes: John Wick 4: Baba Yaga (2023)

 


Eu sou a lenda


por Alexandre César

E John Wick conclui sua trajetória
 


 

Desde que surgiu em John Wick - De Volta Ao Jogo, de 2014, onde o matador aposentado John Wick (Keanu Reeves, de Matrix Resurrections) retornava à antiga atividade por conta do assassinato de seu cachorro, fomos apresentados ao vasto universo da Irmandade dos Assassinos. Ao longo de suas sequências - John Wick: Um Novo Dia Para Matar (2017) e John Wick 3: Parabellum (2019)  - um império invisível do Crime vai se descortinando para o espectador. Profundamente enraizado na sociedade, com promissórias, moedas, medalhões simbolizando juramentos de sangue e um rígido código de conduta, onde cada ação gera uma reação... A expansão de nosso conhecimento deste universo foi de forma exponencial, atingindo agora seu ponto culminante. Ou não?!?

 

John Wick (Keanu Reeves) tem uma "entrevista" com um líder da Irmandade dos Assassinos e "entorna o caldo" de vez


Dirigido novamente por Chad Stahelski (
John Wick 3: Parabellum) com roteiro de Shay Hatten (Army of the Dead: Invasão em Las Vegas) e Michael Finch (Blood Brother), baseado nos personagens criados por Deerek Kolstad (Anônimo), John Wick 4: Baba Yaga (2023) segue a premissa de “mais e maior” até seu limite máximo. Com o auxílio da energética edição de Nathan Orloff (Ghostbusters: Mais Além), o fio da verossimilhança vai se esticando, ao longo de suas duas horas e quarenta e nove minutos de duração, até próximo do ponto de ruptura. Então o ritmo diminui um pouco, para logo em seguida tensionar novamente. Ao longo do filme esta alternância prossegue, gerando uma tensão narrativa que nos entrega um senhor filme de ação com “A” MAIÚSCULO.

 

O "Mediador” (Clancy Brown) se apresenta no Hotel Continental de Nova York...

... instituindo o Marquês (Bill Skarsgård) como o novo administrador da crise

 

Iniciando no deserto da Jordânia, com uma “entrevista” entre John Wick e um Ancião da Irmandade dos Assassinos (George Georgiou, de Moonhavenque deixa claro que nosso protagonista nunca terá paz. Posteriormente conhecemos a enigmática e implacável figura do “Mediador” (Clancy Brown, de O Mandaloriano), que é encarregado de resolver a rixa entre a Irmandade dos Assassinos*1 e John Wick. Ele encarna a “face institucional” da Cúpula do Mundo do Crime e institui o Marquês (Bill Skarsgård de IT – Capítulo 2) para resolver a questão. 

 

O assassino cego Caine (Donnie Yen) é destaque do filme

 

E o Marquês, exigindo uma obediência e fidelidade canina à guilda por seus membros, manda seu capanga-chefe Chidi (Marko Zaror, de Alita: Anjo de Combatecaçar John Wick com um pequeno exército. Além destes, Wick encontra pelo caminho alguns adversários que parecem estar a sua altura, como Caine (Donnie Yen, de Rogue One: Uma História Star Wars), um assassino cego que rivaliza em habilidade com o Demolidor da Marvel. Outro adversário é “Tracker” (Shamier Anderson, de Valentes),  assassino astuto que possui uma cadela (espelhando o amor de Wick por cães) que fica à parte, só agindo após o valor pelo pescoço do alvo da vez ir crescendo até o valor que almeja.

 

O misterioso “Tracker” (Shamier Anderson) 

 
Falando no Demolidor, outro personagem presente no filme que remete as histórias do herói é Killa (Scott Adkins, de Boyka: O Imbatível), corpulento mafioso russo (sob camadas de maquiagem) com dentes de ouro. O personagem é quase uma versão "máfia russa" do Rei do Crime, pois briga muito à despeito do volume de seu corpo. As ótimas coreografias de luta ao longo da história mesclam kung fu e a luta de rua, onde tudo à mão pode ser usado como arma, remetendo ao estilo de Jackie Chan na utilização destas “ferramentas” e ressaltando as diferenças culturais dos personagens que se confrontam. 


Da galeria de tipos, retornam Winston (Ian McShane, de Deuses Americanos), gerente do Hotel Continental de Nova York, seu concierge Charon (Lance Reddick, de Fringe numa de suas últimas aparições) e o “Rei” do Bowery (Laurence Fishburne, de A Mula), que auxiliam John Wick em suas andanças. 
 
 
No Japão, John Wick recorre a Shimazu (Hiroyuki Sanada) gerente do Hotel Continental de Osaka

 
Dos novos rostos, ainda têm destaque Shimazu (Hiroyuki Sanada, de Westworld) gerente do Hotel Continental de Osaka que o auxilia Wick - apesar das reservas de sua filha Akira (a cantora Rina Sawayama) -, Katia (Natalia Tena, de O Mandaloriano), chefe do clã da máfia russa que pode reabilitar John Wick, calcado nas regras da Irmandade.

Ao final, a ação leva a uma espetacular sequência em um ritmo angustiante nas famosas escadarias de Montmartre, em Paris. A cena remete a inexorável passagem do tempo, concluindo os arcos dos personagens e abrindo possíveis rumos para este rico universo narrativo.

 

O filme marca uma das últimas aparições de Lance Reddick (1962-2023), como Charon, o "concierge" do Hotel Continental de Nova York

Os valores de produção refletem o ápice da expansão deste mundo. A linda fotografia de Dan Laustsen (O Beco do Pesadelo) valoriza a beleza das locações na caminhada de seu protagonista pelo mundo, similar às aventuras de James Bond e Jason Bourne: o deserto de Wadi Rum (Jordânia); o Arco do Triunfo e as escadarias de Montmartre (França); Osaka (Japão); Berlin e o Estúdio Babelsberg, em Potsdam (Alemanha). 

O bom desenho de produção de Kevin Kavanaugh (O Peso do Talento) cria ambientes elegantes e ricos, mesclando habilmente uma ambientação noir com elementos sacros, remetendo às origens bielo-russas de Wick. A ambientação rave cheia de neons do night club de Killa, e um apelo de anime, no Continental de Osaka, nos remetem ao melhor estilo de Matrix. Tudo isso auxiliado pela direção de arte de Chris Shriver (Em um Bairro de Nova York), Andreas Olshausen (Sem Remorso), Emil Birk (Uncharted - Fora do Mapa), Giles Boillot (Valerian e a Cidade dos Mil Planetas), Karim Kheir (Cavaleiro da Lua), Cornelia Ott (As Panteras), Thierry Zemmour (Missão: Impossível – Efeito Fallout) e Régis Marduel.  A decoração de sets de Rand Abdel Nour (Cavaleiro da Lua) e Mark Rosinski (Atômica) enfatiza as forças políticas e econômicas em conflito.

 

É nítido o contraste entre o elegante Shimazu e os capangas de Chidi, todos com "paletós de segurança" que parecem fora de medida

Os figurinos de Paco Delgado (Morte no Nilo) contrapõem a elegância do terno preto de John Wick aos conjuntos padronizados em série de Chidi e seus capangas brucutus, que usam um uniforme padrão com coturnos e paletós cinzas (em medidas menores do que deveriam) feitos com um tecido de kevlar, para proteger seus usuários de tiros à queima-roupa. O aspecto destes não deixa de lembrar certos apresentadores de noticiários “populares” e políticos da nossa direita. A eficiente música de Tyler Bates (Deadpool 2) e Joel J. Richard (Livros de Sangue) permeia a ação, sublinhando o ritmo e acompanhando de forma eficiente a escalada do ritmo narrativo.

 

A direção de arte é esmerada, em ambientes variados em estilo, tamanho e atmosfera


Os efeitos visuais de Atomic Arts, Boxel Studio, Clear Angle Studios, Crafty Apes, Halon Entertainment, Incessant Rain Studios, Light FX, Mavericks VFX, McCartney Studios, NVIZ, One Of Us, Outlanders VFX, Pixomondo, Rodeo FX, The Yard VFX, Track VFX, Tryptyc e WeFX , supervisionados por Jonathan Rothbart (O Predador), Janelle Ralla (Mulher-Hulk: Defensora de Heróis) e Michael Ralla (A Tragédia de Macbeth), providenciam o necessário para dar credibilidade às cenas de ação, apagando cabos, fundindo tomadas, acertando cor, acrescentando sangue (sem ser splater), de forma eficiente e sem chamar demasiada atenção para si.

 

No metrô de Paris, o “Rei” do Bowery (Laurence Fishburne) e Winston (Ian McShane) se reunem a John Wick para tratar de sua estratégia


Ao final, tal qual o bicho-papão da mitologia eslava*2, John Wick 4: Baba Yaga mostra o dilema de seu protagonista, entre tornar-se a criatura ao mesmo tempo temida por uns e adorada por outros, ou apenas resolver suas pendências e encontrar um cantinho no mundo, curtindo o anonimato. Como a areia que escorre na ampulheta, saindo de uma câmara para outra, ao mesmo tempo que fecha um ciclo, podemos nos preparar para ser o início de um novo, caso a mesma ampulheta seja virada...

P.S.: Sim, amigos. Tem cena pós-créditos!

 

Armas, muitas armas, e um terno especial de tecido de kevlar. É tudo de que John Wick precisa
 



Notas:

*1: O universo ficcional da Irmandade dos Assassinos lembra a guilda de O Procurado (2008, de Timur Bekmambetov), com Angelina Jolie, James McAvoy e Morgan Freeman. Já ao evocar o passado mítico no deserto desta organização, o longa ecoa a versão hollywoodiana de As Aventuras de Omar Khayam (1957, de William Dieterle), com Cornel Wilde, Michael Rennie e Debra Paget


*2: Baba Yaga, figura chave da mitologia eslava, é um ser sobrenatural (ou um trio de irmãs com o mesmo nome) que tem a aparência de uma mulher deformada e/ou feroz e que voa pelos céus montada num almofariz (uma espécie antiga de moedor), apagando os rastros que deixa com sua vassoura. Mora no interior da floresta numa casa apoiada sobre pés de galinha (ou apenas sobre um pé, em algumas versões), cuja fechadura é uma boca cheia de dentes. A Baba Yaga pode ajudar ou dificultar aqueles que a encontram ou a procuram. De acordo com a morfologia folclórica de Vladimir Propp, a Baba Yaga normalmente aparece nos contos de fadas como uma doadora ou vilã, podendo também ser completamente ambígua. Andreas Johns identifica a Baba Yaga como "uma das figuras mais memoráveis ​​e distintas no folclore eslavo". Ele destaca que ela é "enigmática" e muitas vezes exibe uma "ambiguidade surpreendente". Se Baba Yaga pode ser traduzido como dor, Baba será Avó, e Yaga, mulher.



- "Matar, morrer... quem sabe, dormir..."

 

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

Expandindo o universo - Crítica - Filmes: John Wick 3: Parabellum (2019)

Não mate o cachorro seu imbecil!!!

por Alexandre César 

(Originalmente postado em 12/ 05/ 2019)


Terceiro capítulo da franquia segue adiante com fôlego para ir adiante

 

"-Sei quando não sou querido"...

Se vis pacem, parabellum” (“se você quer paz, prepare-se para a guerra” em tradução livre) Da palavra latina parabellum, que faz parte desta expressão termo bellum originou a palavra “bélico” e suas derivações, todas associadas à guerra ou conflitos armados. 
 
 
-"É COMIGO????"



John Wick (Keanu Reeves perfeito no papel) está em fuga à pé pelas ruas chuvosas de Nova York com seu fiel cachorro por duas razões: Ele está sendo caçado por um contrato global de US$14 milhões por sua vida, e por quebrar uma regra central: tirar uma vida no terreno do Continental Hotel. A vítima era Santino D'Antonio , o Senhor do Crime Italiano, membro da Alta Cúpula do Mundo do Crime, que ordenou o contrato aberto. John já deveria ter sido executado, exceto que o gerente do Continental, Winston (Ian McShane), concedeu a ele uma carência de uma hora antes de ser “Excomungado”. A sua associação foi cancelada, banida de todos os serviços e cortada de outros membros.
 
 
Amizade canina: John Wick (Keanu Reeves) e o seu fiel companheiro.
 
 
John usa a indústria de serviços para se manter vivo enquanto luta e mata para sair de Nova York. Após vários confrontos e reinvindicar junto à Diretora, sua antiga mentora da Máfia Bielorussa (Anjelica Huston) um direito de salvo conduto, parte para Casablanca, no Marrocos numa jornada de redenção em busca do líder de todos os Assassinos e recuperar o seu status, ou simplesmente, a sua vida. Tal qual as grandes epopeias heroicas tudo terminará onde começou, para novamente reiniciar um novo ciclo. 
 
 
A "Diretora" (Anjelica Huston) que se refere à Wick como a "Baba Yaga", o bicho-papão russo

 
Dirigido por Chad Stahelski, que havia dirigido os dois filmes anteriores (John Wick - De Volta Ao Jogo de 2014 em parceria com David Leitch e John Wick: Um Novo Dia Para Matar de 2017) John Wick 3: Parabellum (2019) começa logo em seguida aos eventos do filme anterior, expandindo ainda mais o universo ficcional da Sociedade dos Assassinos, lembrando um pouco a guilda de O Procurado (2008) de Timur Bekmambetov com Angelina Jole, James McAvoy e Morgan Freeman e inclusive, ao evocar o passado mítico desta irmandade ecoa a versão hollywoodiana mostrada em As Aventuras de Omar Khayyam (1957) de William Dieterle, com Cornel Wilde, Michael Rennie e Debra Paget. Se no primeiro filme da franquia a história se concentra num assassino aposentado que vai atrás de um filho de gangster que roubou o seu carro e matou o seu cachorro (vacilo fatal...) um presente de sua esposa recentemente falecida, resultando numa matança desenfreada, no filme seguinte, após quatro dias após estes acontecimentos, Wick rastreia seu carro roubado em uma loja de propriedade do irmão do mafioso, já percebemos este universo de um império do Crime invisível mas enraizado na sociedade, com desdobramentos em regras, promissórias, juramentos simbolizados em moedas e medalhões de juramentos de sangue, com um rígido código de conduta, onde cada ação gera uma reação , terminando por deixar o protagonista prestes a enfrentar as forças do Mundo do Crime, num gancho inevitável para esta sequência.
 
Wick cobra da "Diretora" e da Máfia Bielo-russa uma dívida para fugir, indo para fora de Nova York
 
Os valores de produção refletem bem a expansão deste mundo em ótimas coreografias de luta mesclando o kung fu e a luta de rua, onde tudo à mão pode ser usado como arma, com a edição esperta de Evan Schiff, a linda fotografia de Dan Laustsen (as sequências do balé do submundo são ótimas, bem como a sequência final na sala de vidro) fazendo uso de uma sanguinolência bem dosada, sem cair no Splatter, fora a bela direção de arte e o design de produção de Kevin Kavanaugh que criam ambientes elegantes e ricos visualmente, auxiliando na narrativa que mescla habilmente a ambientação noir com um apelo de anime, no melhor estilo Matrix, onde boa parte da equipe se conheceu, embalados pela trilha de Tyler Bates e Joel J. Richard que sublinham as situações mas não se torna memorável... 
 
 
A "Juíza" (Asia Kate Dllon) e Charon (Lance Rddick): A instituição e a fidelidade individual

 
Temos neste universo invisível e eficiente de telefonistas, secretárias, arquivistas cobertas de tatuagens e piercings (uma forma visualmente interessante de mostrar que as engrenagens da máquina do submundo funcionam do mesmo jeito que as do mundo oficial) a enigmática figura da “Juíza” (Asia Kate Dillon) que é a “face institucional” da Cúpula do Mundo do Crime, agindo como implacável interventora, aplicando sentenças e alterando o status de personagens para deixar claro a exigência de uma obediência e fidelidade canina à guilda de seus membros, ficando bem interessante o paralelo com Wick e sua predileção por cachorros (famosos por sua lealdade aos donos) que encontra um espelhamento em Sofia (Halle Berry) como o seu equivalente feminino. 
 
 
O "Rei Bowery" (Lawrence Fishburne): o "Rei dos miseráveis"...

 
Rostos familiares à franquia como o Rei Bowery (Lawrence Fishburne) e Charon (Lance Reddick, de Fringe) o braço direito de Winston, retornam, havendo a adição de Zero (Mark Dacascos) o adversário-ninja (que gosta de gatos) e de (Jerome Flynn, o Bronn de Game of Thrones) numa participação especial, além de Said Taghmaoui como “o mais velho”, o sheik líder da guilda. 
 
 
 
Sofia (Halle Berry) e seus cães: A "versão feminina de Wick"...
  
 
O roteiro, escrito por Derek Kolstad, desenvolve a trama de forma que aqueles que não conhecem a série não têm muita dificuldade de em poucos minutos entenderem o que se passa, alternando os blocos massivos de ação com momentos mais dialogados, para diluir dúvidas e dar um espaço para recuperar o fôlego ao longo de suas 2 horas e 10 minutos de exibição, permitindo a Wick lutar, sangrar, matar, respirar, planejar e retomar o ciclo (não necessariamente nesta mesma ordem...). 
 
 
Zero (Mark Dacascos) o assassino-ninja da vez e fã de Wick...

No computo final, se não é perfeito John Wick 3: Parabellum é um produto elegante, no fundo um B com orçamento de  A”  moderadamente emocionante e vertiginosamente cinético, que atinge o seu público-alvo de forma eficiente, preparando no final a deixa para mais uma continuação, confirmando o que por ocasião do lançamento do primeiro filme em 2014, Jon Feltheimer, o CEO da Lionsgate disse: 
 

A direção de arte impecável cria ambientes visualmente ricos e complementares ao desenrolar dinâmico da história

  -"Vemos John Wick como uma série de ação de vários capítulos".
 
 
A bela fotografia, aliada à ótima edição e coreografia de lutas rendem momentos memoráveis


Pois é, e que os meliantes não resolvam posar de machos matando o cachorro do cara se sabem o que é melhor para eles, pois ao contrário de Jon Snow*1, John Wick não abandona o seu fiel companheiro... 
 
 
Rei Bowery, Sofia, Winston (Ian McShane)a Juíza, Tick Tock Man 
(Jason Mantzoukas): As faces de um mundo invisível a nós, gente comum.

 
Notas:
 
*1: Personagem de Kit Harrington em Game of Thrones que em sua última temporada deixou o seu lobo gigante para trás (por cortes orçamentários no CGI) o que deixou a cena estranhíssima, pois depois de passarem sete temporadas de amargar, ele simplesmente diz que não pode levá-lo para o sul, que o lugar dele é no norte, mas não dá um afago no bicho de despedida, parecendo uma atitude fria e desalmada.