Trinta anos depois, Salvor Hardin (Lea Harvey de Lutando pela Família) é a Guardiã de Terminus e, quem deveria ser o melhor personagem da série,
é reduzida ao mero clichê de ser a “a escolhida”, praticamente a
temporada inteira não alcançando o real potencial que tinha no livro*5,
reduzida ao estereótipo de “mulher guerreira” fazendo par romântico com
Hugo (Daniel McPherson de Strike Back), mercador espacial, quase um
‘Han Solo’ desse arco.
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Um comando de anacreontinos liderados pela implacável Phara (Kubbra Sait) cerca a Fundação
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O grande desafio de Hardin é enfrentar um destacamento de soldados do planeta Anacreon, chefiados pela irrascível Phara (Kubbra Sait de Jogos Sagrados) e seus tenentes Freestone (Nikhil Parmar de Brassic) e Rowan (Pravessh Rana de O Paraíso e a Serpente)
na verdade, um grupo violento e genérico, não muito diferente de outros
vistos em outras séries. Esta facção pretende tomar posse de qualquer
vantagem estratégica que a Fundação possa oferecer, uma vez que o Império devastou seu mundo após uma revolta. Dos envolvidos neste imbróglio se destacam Abbas (Clarke Peters de Os Irregulares de Baker Street) e Mari (Sasha Behar de Unforgotten), os pais de Hardin, e o administrador Lewis Pirenne (Elliot Cowan de Death em Paradise) num dos arcos menos atraentes da série, que deveria ser justamente o oposto.
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| O conflito iminente afeta as vidas dos enciclopedistas como Abbas (Clarke Peters) e Mari (Sasha Behar), os pais de Hardin, |
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E, enquanto o "cofre" de Seldon permanece alheio à tudo...
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E então finalmente chegamos no melhor arco da série, que engloba o Império,
que justamente por ser um elemento pouco visto nos livros, teve suas
lacunas preenchidas magistralmente, sendo a figura do Imperador, na
realidade um triunvirato, composto de clones de Creon I, o Imperador original, em momentos diferentes da vida: Irmão Alvorecer (Cooper Carter de Beyond The After quando menino e Cassian Bilton de Shoal quando rapaz), Irmão Dia (Lee Pace de Capitã Marvel na fase adulta) e Irmão Ocaso (Terence Mann de Lista Negra
quando idoso). Esta casta vai se sucedendo século após século, o que é
uma ótima alegoria sobre a estagnação, a incapacidade de mudar, pois na
temporada vemos o mesmo indivíduo quando criança, se horrorizar com as
atitudes de sua versão adulta tentando inclusive (anos depois já adulto)
ousar uma nova abordagem quando questionado por Zephyr Halima (T´Nia
Miller de Years and Years) uma religiosa que indaga se "um clone tem alma", ele faz incógnito a peregrinação espiritual do Caminho da Donzela,
num território insalubre, numa jogada política (apesar dele não admitir
o impacto emocional da jornada), e ter, ao final, uma atitude super
cruel com uma dissidente no último episódio. Outro dado da dinastia é
que um clone que não seja uma ‘cópia perfeita de Creon I’ caso apresente
características como daltonismo, ou simplesmente ser canhoto, é
considerado uma abominação e deve ser erradicado. Uma boa alegoria sobre
as casas reais europeias do passado, cujos casamentos consanguíneos
levaram a doenças degenerativas*6.
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... paralelo à isso, temos um vislumbre de sucessão quando um Irmão Ocaso vira Trevas (e pouco depois perece) Alvorecer se torna Dia e Dia se torna Ocaso, quando ocorre o nascimento de um novo bebê Alvorecer
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Um personagem enigmático neste arco é Eto Demerzel*7 (Laura Birn de Eden)
a preceptora e braço direito da família real, na verdade um robô,
provavelmente não programado com as 3 leis, ou obedecendo à uma
interpretação bem ‘elástica’ da Lei Zero da Robótica*8, que junto ao sinistro Mestre das Sombras Obrecht (Mido Hamada de Wildcat) realizam os ‘trabalhos sujos’ para o imperador, quando solicitados.
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Superada a crise, Salvor confronta sua mãe quanto às suas verdadeiras origens
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Ao
mesmo tempo, o Imperador, (Irmão Dia) numa jogada política faz uma
peregrinação espiritual para satisfazer religiosos incômodos
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A produção suntuosa se reflete em cada cena, pontilhada pela música de Bear McCreary (Battlestar Galactica) cujo suntuoso tema principal é marcante, adornando a bela fotografia de Owen McPolin (Sombra e Ossos), Tico Poulakakis (Star Trek: Discovery), Danny Ruhlmann (O Legado de Júpiter), Cathal Watters (O Alienista), Steve Annis (A Cor que Caiu do Espaço), Thomas Kloss (Treadstone) e Darran Tiernan (Perry Mason) que funciona bem com a edição de Paul Trejo (Carnival Row), Miklos Wright (For All Mankind), Emily Greene (Mrs. America) e Skip Macdonald (Breaking Bad) que vai oscilando no pique narrativo, ora no ponto certo, ora mais arrastado.
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O
desenho de produção e a direção de arte criaram mundos contrastantes em
vários aspectos, como o luxuoso Palácio Imperial em Trantor...
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...e a Fundação em Terminus, ainda em sua construção, essencialmente de aspecto funcional
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Visualmente rica, a supervisão de efeitos visuais de Chris Maclean (Deuses Americanos) enriquece a narrativa do seriado, que se apoia nos efeitos visuais da Double Negative (DNEG), NVIZ, Outpost VFX, e Rodeo FX, ao criar mundos surreais, high-techs e brutalistas que expandem o desenho de produção de Rory Cheyne (Locke & Key) nesta criação, que graças ao trabalho das as equipes de direção de arte chefiadas por William Cheng (A Colina Escarlate), Conor Dennison (Penny Dreadful), Adorjan Portik (Duna) e Jens Lockmann (Morte Negra), e da decoração de sets de John Neligan (Darklands) e Ingeborg Heinemann (O Gambito da Rainha)
que dialogam com várias linhas conceituais do imaginário da
ficção-científica, daí o aspecto “genérico”, que alguns criticam na
série, pois Terminus, com seu jeitão de cidade de faroeste, remete à Mos Eisley, e Trantor, sendo um planeta-cidade ecoa Coruscant, ambos de Star Wars (que copiou de Asimov por sinal!) e outras que remetem `a Game of Thrones, como o Caminho da Donzela ou às ilustrações de Moebius e Juan Gimenez, fonte que os figurinos de Eimer Ni Mhaoldomhaigh (O Ritmo da Vingança) e Kurt and Bart (Jogos Vorazes: A Esperança – Partes I & II) bebem de bom grado, mantendo certas semelhanças com Raised by Wolves.
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Os efeitos visuais, de qualidade excepcional refletem todo o imaginário Sci-Fi, lembrando o trabalho de ilustradores...
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... e até paisagens de filmes e série que tiveram a obra de Asimov como fonte inspiradora
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Ao final, se ainda não atingiu o seu pleno potencial, Fundação ainda
instiga e merece um crédito (que esperemos seja bem aproveitado) para
corrigir seus erros e conseguir cumprir a sua missão principal, que é
induzir o grande público a querer conhecer a obra original e no seu
bojo, a visão de Isaac Asimov.
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| "Tenho que correr com esse landspedeer para chegar em Mos Espa antes que comece a corrida de Podracers! " |