Polícia do Tempo à Brasileira.

Qudrinhos através do espaço-tempo.

O Homem da Fronteira

Um homem e seu chapéu de guaxinim.

Um manto sobre o mundo.

Especial Homem-Morcego

Jornada em família.

A Família Robinson no Espaço.

Os primeiros Caça-Fantasmas

Trio de charme mambembe.

Mostrando postagens com marcador HBO. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HBO. Mostrar todas as postagens

domingo, 7 de maio de 2023

O "apresentar um argumento convincente" - Crítica - Séries: Perry Mason - 2ª Temporada

 


Não é a justiça que é uma ilusão...


por Alexandre César

O dolorido amadurecimento de um personagem














1933, Los Angeles. Já se passou um ano desde que Perry Mason (Matthew Rhys de O Urso do Pó Branco) auxiliado por Della Street (Juliet Rylance de Jill) sua sócia e braço-direito conseguiram livrar Emily Dodson (Gayle Rankin de GLOW) de uma condenação injusta e midiaticamente orquestrada, por “cidadãos de bem” que queriam condená-la à morte para desviar a atenção pública de suas falcatruas. Perry e Della no momento, para manter o escritório, se dedicam ao direito comercial, dando suporte jurídico à Sunny Gryce (Sean Astin da trilogia O Senhor dos Anéis) o dono de uma rede de mercados para expandir seu negócio, o que leva Mason a ganhar para ele uma ação, que no fundo era moralmente questionável. Mas negócios são negócios...  

 

De bem com a vida: Perry Mason (Matthew Rhys) inicia um romance com Ginny Aimes (Katherine Waterston) a professora de seu filho



Agora mais estabilizado, Mason (um divorciado assumido) mostrando um lado mais humano, e do quanto está feliz com o rumo que sua vida está tomando, faz as pazes com sua ex-amante Lupe Gibbs (Veronica Falcón de A Rainha do Sul) e com a sua ex-esposa, e passa a resgatar a relação com  Teddy (Jack Eyman) seu filho (em certa altura ele leva o garoto ao cinema para ver King Kong), além de iniciar um romance com Ginny Aimes (Katherine Waterston de Animais Fantásticos: Os Segredos de Dumbledore) a professora do garoto. Já Della, reencontra sua mentora, Camilla Nygaard (Hope Davis de Succession) rica filantropa e patrona das artes, cujos saraus de música clássica são frequentados pela elite econômica, política e social de Los Angeles. Della conhece a socialite Anita St. Pierre (Jen Tullock de Ruptura) por quem se apaixona, terminando seu romance com Hazel Prystock (Molly Ephrain de O Favorito) que já havia amornado.

 

Para dar estabilidade ao escritório Perry dá suporte jurídico a Sunny Gryce (Sean Astin), um comerciante em expansão

 

A dupla é convocada por Luisa Gallardo (Onahoua Rodriguez de Estação 19) uma humilde mexicana, mãe dos acusados Mateo (Peter Mendoza de Vide Noir) e Rafael Gallardo (Fabrizio Guido de Negra Como a Noite) de executar Brooks McCutcheon (Tommy Dewey de Killing It) filho de Lydell McCutcheon (Paul Raci de O Som do Silêncio) empresário do ramo petrolífero, envolvido em vários empreendimentos nebulosos. À medida que vai montando o caso, Mason vai descobrindo que Brooks, embora fosse vendido como um grande filho da comunidade e de uma das mais poderosas famílias da região, pai de família e fomentador dos esportes, tinha um lado sombrio, e suas atividades entravam em conflito com as de grupos de interesses que preferiam removê-lo, culpando dois pés-rapados latinos para abafar a opinião pública. 


A rica filantropa Camilla Nygaard (Hope Davis) reencontra sua ex-pupila Della Street (Juliet Rylance) ,


 Nos oito episódios de uma hora de sua segunda temporada, Perry Mason prossegue em sua escalada de nos mostrar a formação do superadvogado (imortalizado na série veiculada entre 1957 e 1966 com Raymond Burr pela rede CBS) aqui encarando um caso aparentemente básico de assassinato, mas que mascara uma cadeia de ações envolvendo chantagem, preconceito, tráfico de influência e, dinheiro, muito dinheiro, no conturbado mundo pré-Segunda Guerra Mundial. 

 

O playboy Brooks McCutcheon (Tommy Dewey) é executado à sangue frio, alavancando a trama


A série, criada por Rolin Jones(Boardwalk Empire) Ron Fitzgerald (Weeds) para a HBO tendo entre os produtores Robert Downey Jr. (Doolittle) e sua esposa Susan Downey (Beijos e Tiros) e dirigida por Fernando Coimbra(Narcos), Nina Lopez-Corrado (Marvel´s Agents of S.H.I.E.L.D.), Jessica Lowrey (Halo) e Marialy Rivas (La Jauría) traz de volta, repaginado o agora advogado (embora ainda bastante destoante, da imagem glamourosa a que o imaginário pop e o grande público está acostumado*1) numa trama mais próxima das que eram veiculadas no programa de TV.

 

Os irmãos Mateo (Peter Mendoza) e Rafael Gallardo (Fabrizio Guido) são os mexicanos a serem sacrificados pelo sistema



Percebemos a sinergia entre Perry e Della trabalhando juntos, e o quanto ele sabe que, sem ela, ele não seria tão bom quanto é. Ela, por sua vez, é a única que sabe que ele é um advogado melhor do que ele pensa que é. E no fundo, ele sabe disso.

Rostos conhecidos retornam, em novas etapas de suas vidas. Paul Drake (Chris Chalk de Godzilla vs. Kong) e sua esposa Clara (Diarra Kilpatrick de American Koko) passam por dificuldades, vivendo de favor com parentes, mas ao fazer um serviço para Pete Strickland (Shea Whigham de Velozes & Furiosos 9) ex-parceiro de Mason nos seus tempos de investigador, acaba prejudicando (para seu desgosto) uma liderança da comunidade negra; Strickland, por sua vez, agora trabalha para o escritório do Promotor Público Hamilton Burger (Justin Kirk de Succession) cujo assistente, Thomas Milligan (Mark O´Brien de Casamento Sangrento) quer ganhar o caso de qualquer jeito por razões políticas, levando-o a prejudicar o amigo.Outro que reaparece é o Detetive Holcomb (Eric Lange de Dupla Jornada) que por fora de seu trabalho policial, gerencia um navio cassino ilegal de propriedade de Brooks McCutcheon, que colecionava irregularidades, levando Mason, sempre com seu chapéu fedora e com sua pequena máquina fotográfica*2, a peneirar quais os interesses envolvidos no caso e, conseguir, se não uma vitória*3, pelo menos um acordo que convença o juiz Durkin (Tom Amandes de A Lista Terminal) a não condenar seus clientes à morte.

 

Della Street (Juliet Rylance) conhece a socialite Anita St. Pierre (Jen Tullock ) por quem se apaixona


A música de Terence Blanchard (A Mulher Rei) dá o tom intimista da série, auxiliada pela supervisão musical de Linda Cohen (Licorice Pizza) que inclui hits do período como “Are You Makin´ Any Money?” de Paul Whiteman por Mollie Weaver, refletindo poeticamente a luta de classes no batalhar incerto do “pão de cada dia”, desse universo marcado pela Grande Depressão, que a fotografia de Darran Tiernan (Westworld) Eliot Rockett (Pearl) registra, e a edição de Meg Reticker (American Rust), Blake Maniquis (Iluminadas), Martin Zaharinov (Servant), Lisa Bromwell (Bilions) e Howard Leder (This Is Us) complementa de forma paciente em seu tom narrativo, num suspense maduro, que intercala as diferentes histórias que estão mescladas na história principal, e definindo as nuances emocionais dos personagens.

 

Amizade: Perry resgata o contato com seu filho Teddy (Jack Eyman)

Eficientemente, o desenho de produção de Keith P. Cunningham (Mare of Easttow) junto com a direção de arte Ian Scroggins (Better Call Saul), Michael Manson (O Mandaloriano) Brittany Braford (Tico e Teco: Defensores da Lei) e a decoração de sets de Halina Siwolop (Legião) criam espaços que refletem tanto as posições socioeconômicas de seus personagens, como seus estados mentais e emocionais, como o apartamento de solteiro de Mason ou as simples casas dos bairros negros e as favelas dos latinos, em oposição às luxuosas mansões Art Decô dos bairros ricos, ou o ambiente brega novo rico do navio cassino de Holcomb. Da mesma forma, os figurinos de Catherine Adair e David J. Matwijkow (O Homem do Castelo Alto) recriam estas divisões sociais, nos trajes austeros e simples dos Gallardo e dos Drake, contrastando com a classe dos modelos delicados e luxuosos de Camilla Nygaard e na sofisticação dos modelos de Anita St. Pierre.

 

Perry Mason, Paul Drake (Chris Chalk) e Della Street unem esforços para descobrir os meandros da conspiração

 

Os efeitos visuais das empresas Pixomondo, Crafty Apes, Folks VFX, supervisionados por Marc Kolbe (Doutor Sono) continuam o bom trabalho da recriação da Los Angeles da depressão, e dos primeiros anos do New Deal*4 quando políticas públicas foram postas à cabo para gerenciar e reduzir a pobreza geral (que pouco atingiram as indústrias do cinema e do petróleo) e ainda seguem com as criativas soluções da integração do logo de abertura da série com a paisagem das cenas de início de cada episódio.

 

O Promotor Público Hamilton Burger (Justin Kirk) é pressionado para dificultar o caso para Mason, embora prefira um acordo



Ao final, a segunda temporada de Perry Mason termina novamente de forma agridoce, no melhor estilo noir com seu protagonista encarando uma punição judicial, para poder mais adiante seguir o rumo que bem adiante o levará se tornar o personagem criado por Erle Stanley Gardner em seus livros (mas não em suas encarnações televisivas e cinematográficas anteriores), transmitindo assim a mensagem de que devemos ter a força de questionar a versão oficial das coisas, e saber ouvir a voz que ecoa em nossa consciência, e neste fluxo de dúvidas e incertezas, conseguir esclarecer a verdade dos fatos, aceitando que nem sempre os culpados pressionam o gatilho, mas mandam alguém descartável fazê-lo, cabendo a quem procura por justiça, revelá-lo.

 

A direção de arte e os efeitos visuais têm momentos criativos como o uso da titulagem da série no início de cada episódio



Notas:



*1: Criado por Erle Stanley Gardner (1889 - 1970) em seus quase 80 livros (sendo muitos deles publicados postumamente) o advogado criminal Perry Mason foi lançado no livro O Caso das Garras de Veludo de 1933, caracterizando-se por ser dedicado a seus clientes (só aceitando defender indivíduos que ele saiba que são realmente inocentes) independente de suas origens e classe social. Nos livros, sabe-se pouco sobre a sua origem, família, idade e aparência, pois o autor deliberadamente sempre descreveu muito mais o espírito e atitude do personagem do que o seu aspecto exterior, dando-lhe um aspecto mítico, facilitando por uma lado a sua adaptação, como na série veiculada entre 1957 e 1966 com Raymond Burr pela rede CBS, mas que nunca explorou realmente, a sua personalidade.

 


*2: A série, foi a precursora do gênero “procedural” (aquele cuja narrativa de cada episódio se foca num caso que é investigado a cada semana, não tendo nenhuma conexão entre demais). além de aparecer em programas de rádio, filmes para o cinema e TV e até quadrinhos e jogos, sem contar de ter se tornado uma referência nos meios jurídicos.

 


*3: “Momento Perry Mason” é um termo que existe na advocacia americana quando o advogado revela (normalmente de maneira dramática) uma informação que causa uma grande reviravolta no julgamento, virando-o a seu favor.

 


*4: O New Deal (em português, novo acordo ou novo contrato) foi uma série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, além de auxiliar os prejudicados da Grande Depressão. Seu nome foi inspirado em Square Deal, nome dado por Theodore Roosevelt à sua política econômica. Essas políticas econômicas, até então inusitadas, foram adotadas quase simultaneamente por Roosevelt nos Estados Unidos e por Hjalmar Schacht na Alemanha, cerca de três anos mais tarde, foram racionalizadas pelo economista John Maynard Keynes em sua obra clássica Teoria geral do emprego, do juro e da moeda.


"-Mertíssimo, eu peço que adiemos o julgamento até o final da próxima temporada..."

segunda-feira, 13 de março de 2023

Um cara e uma menina contra o mundo - Crítica - Séries: The Last of Us - 1ª Temporada

 

Não é sobre fungos. É sobre a vida



por Alexandre César

Adaptação do game é densa e instigante







Fungos são classificados num reino separado das plantas, animais e bactérias. Entre eles, s
enquadram espécies como os cogumelos, bolores, orelhas-de-pau e leveduras. O que em geral as pessoas não sabem é que eles são responsáveis por 1,7 milhão de mortes por ano e são cada vez mais resistentes ao tratamentos conhecidos pela ciência.  


Minha filha, minha vida: Joel (Pedro Pascal) vive para sua filha Sarah (Nico Parker) num mundo que desmorona


Posto isso, percebemos que vírus e bactérias ganham a atenção de todos como principais ameaças biológicas, mas os fungos tem um potencial de dano maior do que normalmente supomos. Imaginemos então um debate televisivo entre cientistas, num talk show bem ao estilo dos anos 90, discorrendo sobre
 pandemias e os os riscos das viroses. e um deles vaticina que os fungos, caso um dia venham a sofrer mutação e proliferar nas altas temperaturas corporais dos humanos*1 (tal qual nos insetos *2), poderia provocar o nosso fim. É exatamante isso que ocorre no início da 1ª temporada de The Last of Us, o novo hit da HBO que acabou de chegar a sua conclusão.  

 

Tess (Anna Torv, à direita), a parceira de Joel, recebe a missão de levar consigo a destemperada Ellie (Bella Ramsey, à esquerda)

 

Num pulo cronológico, conhecemos Joel Miller (o assombrosoPedro Pascal, de O Mandaloriano). Ele é um ex-militar, veterano de guerra, que carrega um peso descomunal na alma. Foi no dia de seu aniversário, em 26 de setembro de 2003, que irrompeu o pior surto pandêmico global de todos os tempos. Durante a fuga para um local seguro com seu irmão Tommy (Gabriel Luna, de O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio), sua filha Sarah (Nico Parker, de Dumbo) veio a falecer em seus braços, apesar de todo o seu esforço para salvá-la.  

 

De "Game of Thrones" para a distopia: Joel e Ellie (Bela Ramsey) ao lado de suas versões originais do game



Duas décadas depois chegamos aos dias de hoje nessa realidade paralela. Joel trabalha na zona de quarentena de Boston - cidade controlada pela FEDRA*3 -, fazendo bicos, traficando drogas para os soldados etc. O clima geral é de desesperança, com o temor da praga e a opressão do governo militar, que reprime violentamente qualquer voz discordante do status quo

Por fora, ele, junto com sua companheira ocasional Theresa “Tess” Servopoulos (Anna Torv, de Fringe) fazem serviços para os “Vagalumes”, um movimento rebelde contra a tirania militar. Sua líder local, Marlene (Merle Dandridge, de Estação 19), os encarrega de levar a adolescente Ellie Williams (a ótima Bella Ramsay, de Game of Thrones, em performance espetacular) para uma célula do movimento. Aparentemente a jovem é imune ao fungo causador da pandemia, pois foi mordida por um infectado e não desenvolveu a doença.

 

O trio, chefiado por Tess, inicia a jornada, com Joel e Ellie não "se bicando" muito bem 


Criado por
Craig Mazim (Chernobyl) e Neil Druckmann (Uncharted: Fora do Mapa), baseado no game para Playstation criado pela Naughty DogThe Last of Us tem como diferencial entre os vários cenários distópicos de uma pandemia global apresentados na cultura pop, o seu olhar perspicaz sobre as relações humanas, dando destaque às pequenas coisas e aos momentos delicados. Em meio ao cotidiano brutal, estes momentos crescem de forma sólida, transmitindo verdade a seus personagens, que são valorizados pelo ótimo e afiado elenco (destacando-se a química da dupla protagonista) e uma direção inspirada. 

 

Não faltam pelo caminho paisagens desoladas e cheias de infectados, que se amontoam como entulho quando em repouso



Um dos motes da série é sempre mostrar o apocalipse como uma experiência pessoal, da perspectiva própria de cada indivíduo. Até porque cada dia, em qualquer lugar, existe alguém vivendo uma situação de desamparo (um verdadeiro ”apocalipse”), seja num local acometido por um terremoto ou uma enchente, um desabamento, uma pandemia... Ou mesmo alguém tendo perdido aquele a quem mais amava. Portanto, sempre existe alguém, em algum lugar (às vezes na sua própria vizinhança mesmo) que perdeu tudo!!!


Mais adiante Joel e Ellie têm de seguir por conta própria, aprendendo a se suportarem


A perspectiva do indivíduo na série pode funcionar como contraponto ao clima de amargura geral. Em um dos episódios temos, na cidade de Lincoln, Massachusetts, a bela história de Bill (Nick Offerman, de The Resort) o sobrevivencialista, e de Frank (Murray Bartlett, de The White Lotus), seu companheiro. Eles vivem um momento terno em meio a um mundo conturbado, destoando inclusive de como a história de ambos é apresentada no game*4. Fazer essa mudança não muda muito a história geral, mas funciona como um momento de respiro no clima pessimista da série, em face às perdas que ocorrem nos episódios anteriores e posteriores.


A história de Frank (Murray Bartlett) e Bill (Nick Offerman) é diferente do game


Outra das discussões da série é o quanto o ódio pode ser uma força motivadora, mas seu preço, à curto prazo, é venenoso. Essa posição é representada por Kathleen (Melanie Lynskey, de Não Olhe Para Cima), chefe de Kansas City,após derrubar a FEDRA na região. Ela caça obsessivamente Henry (Lamar Johnson de X-Men: Fênix Negra) que traiu seu irmão em troca do remédio para a leucemia de seu irmão caçula, Sam (Keivonn Woodard, de Fractal). Sua história mostra o quanto o ressentimento pode ser maligno, podendo levar aqueles que deles se contaminam a finais trágicos, tão venenosos quanto o próprio fungo*5

 

Coisa banais, como viajar de avião, agora são ações "mitológicas" para a geração de Ellie, que só conhecem a realidade pós pandemia



Mais um exemplo de contraponto ao pessimismo que normalmente norteia este tipo de narrativa ocorre quando nossos viajantes chegarem a cidade fortificada de Jackson, onde o irmão de Joel, Tommy, já está formando a sua própria família com Maria (Rutina Wesley, de DMZ) e onde o trabalho comunal e a posse coletiva dos meios de produção leva a comentários interessantes sobre as relações sociais.

 

Contraste: Em Jackson, Joel reencontra seu irmão Tommy (Gabriel Luna) agora estabilizado, formando a sua própria família, enquanto ele parou no tempo


No penúltimo episódio (o mais fraco da temporada, embora eletrizante) a situação de nossa dupla de protagonsitas se inverte se inverte. Vemos Joel ferido e Ellie tendo de encarar uma comunidade liderada por David (Scott Sheperd, de X-Men: Fênix Negra) um cultista psicótico que lidera e alimenta com o que pode seu ‘rebanho’, que segue o que ele diz de forma bovina por eles. Seu culto assume um perfil que mescla um viés fundamentalista mesclado com tons supremacistas.

O braço-direito de David, James, é vivido por Troy Baker, que faz a voz de Joel no game original. O episódio final vemos Annie Williams, a mãe de Ellie, que é interpretada por Ashley Johnson, que no game faz a voz de Ellie, além de ter capturada a performance para a construção e movimentação da personagem.  

No último episódio, temos esclarecida a origem de Ellie e da sua imunidade, o que leva Joe à uma decisão dificílima que seus futuros desdobramentos, trará consequências para todos e, colocará em xeque sua relação com ela, a despeito do amor e amizade que os une, tal é o vínculo que criaram em sua 
travessia...


O bom uso dos efeitos visuais recria os visuais desolados dos gráficos do game


A lírica (e de tom agridoce) música de Gustavo Santaolalla (Narcos: México) e David Fleming (Imperdoável) retrabalha o seu tema original do game, utilizando acordes de ronroco, transmite a solidão e a busca de esperança que é a característica principal do game, além da inserção pontual de hits como “Never Let Me Down Again” do Depeche Mode na voz de Jessica Mazin; “Future Days” do Pearl Jam; “Long, long time” de Linda Rondstadt; “Up on the Housetop” de Benjamin Hanby; ”Fuel to Fire” de Agnes Obel; “True Faith” por Anna-Lynne Williams entre outros, em momentos emocionalmente mais carregados, acompanhando o ritmo da edição de Timothy A.Good (The Umbrella Academy), Emily Mendez (The Resident), Cindy Mollo (Ozark) e Mark Hartzell (Perdidos no Espaço) que acompanha o tom ora tenso, ora lento, e algumas vezes até contemplativo da narrativa.

A fotografia de Eben Bolter (Avenue 5), Ksenia Sereda (Uma Mulher Alta) e Nadim Carlsen (Holy Spider) sabe tirar proveito da beleza natural das paisagens externas, e de seus horizontes amplos, registrando a passagem das estações e nos ambientes internos, usa de tons escuros nos momentos de tensão, flertando com o horror.


Em Kansas City, Kathleen (Melanie Lynskey)após derrubar a FEDRA, instaura um regime de terror obsessivo

 

O eficiente desenho de produção de John Paino (Clube de Compras Dallas) cria um mundo distópico árido, de cidades abandonadas, e em ruínas, que a direção de arte de Don Macaulay (Altered Carbon), Callum Webster (O Predador), Andrew Moreau (Wynonna Earp), Steve Bedford (Altered Carbon), Andrew Li (Missa da Meia-Noite) entre outros, revela as nuances deste novo construto social deteriorado, que a decoração de sets de Paul Healy (Ghostbusters: Mais Além) pontua aqui e ali com os elementos de um mundo, outrora dinâmico, mas agora morto e que só persiste na memória dos sobreviventes, cujos figurinos amarrotados de Cynthia Ann Summers (Expresso do Amanhã) não deixa dúvidas de que não há lugar para confortos cotidianos como a 
elegância.

 

A inspirada direção de arte recria omundo em ruínas do game, referenciando o final dos anos 90, quando aconeceu o surto



Agora, f
alemos dos infectados, cujo design de maquiagem de Barrie (A Casa do Dragão) e Sarah Gower (Chernobyl), Werner Pretorius (Expresso do Amanhã) e Paul Spateri (A Lenda do Cavaleiro Verde) criaram caracterizações incríveis dos vários tipos de infectados*6 , que se harmonizam perfeitamente o ótimo CGI da Wëtã FX, Crafty Apes, Framestore, supervisionados por Alex Wang (Jurassic World Domínio) que quando aparecem, "tocando o terror", são "o bicho", além de ampliarem o horizonte devastado de suas paisagens.

 

"Baiacu": Se você ver um desses correndo na sua direção, você está F#D1D0!!!


 
A
o final, a primeira temporada de The Last of Us embora decepcione os puristas do game, que esperam basicamente um ‘copia e cola’ do mesmo, empolga ao público mais amplo, pois ao usar seu contexto distópico como pretexto para reflexão pois, mais do que sobre fungos, mutantes, infectados, zumbis, monstros, etc... o que a série nos fala realmente, é sobre a vida, e sobre nós mesmos, nossos medos, mesquinharias, anseios e necessidade de afeto, amor e pertencimento, não importa o quanto erremos tentando fazer o certo.


David (Scott Sheperd) o "lobo em pele de pregador", digo "cordeiro"


Notas:

 

*1: No seriado, a pandemia fúngica ocorre através de uma mutação ocorrida no Cordyceps (que na vida real não prolifera em humanos devido à nossa alta temperatura corporal) que infecta indivíduos, causando uma infecção cerebral que transforma seus corpos e mentes, tornando os humanos infectados num tipo de zumbi agressivo após a infecção, que podem viver desde poucas horas a até mais de 20 anos, sofrendo transformações ao longo deste processo.

 

*2: Na natureza, existe o “fungo-zumbi” que infecta formigas em especial, dando-lhes um comportamento anormal (daí o nome ‘formiga-zumbi’”) que vai proliferando até atingir totalmente o sistema nervoso central em até duas semanas após a infecção. Assim a formiga age com um zumbi, ainda viva, com toda a sua noção espacial, mas perdendo o domínio de seus movimentos. Na fase terminal, o fungo controla os músculos mandibulares da formiga fixando-as em uma folha ou outra região da planta, permanecendo assim até a morte da formiga.

 


*3: FEDRA (FEderal Disaster Response Agency – “Força Emergencial de Reação Anti-Desastres”) é um grupo militar que mantém o controle rígido sobre as zonas de quarentena, a fim de evitar novas infecções pelo fungo Cordyceps, tendo rapidamente degenerado para um sistema repressivo e brutal de controle de sua população. FEDRA está no controle da área de quarentena em Boston, onde Joel, Ellie, Tess e outros estão localizados.

 


*4: A série expandiu muito o personagem Frank. No game, nunca o conhecemos, e vemos apenas seu cadáver. No game, Bill leva Joel e Ellie ao se esconderem dos infectados, descobrem estar na mesma casa onde Frank, o parceiro de Bill, se enforcou. Com base nos documentos encontrados no corpo, fica claro que Frank estava tentando deixar Bill e ir para a Zona de Quarentena de Boston, já tendo preparado um veículo que esperava usar para sair da cidade. No entanto, ele foi mordido quando fazia seus prparativos. Antes de se transformar em um dos infectados, Frank suicidou-se, deixando uma carta um tanto brutal para Bill, destacando o quão diferente era o relacionamento deles no game. Leia:

Durante o tempo que Joel e Ellie passam com Bill, fica claro que ele é um tanto delirante, ocasionalmente falando sozinho e parecendo um eremita recluso. A nota de suicídio de Frank reforça essa ideia, porque quando Joel a entrega a Bill, ele fica chocado ao descobrir o desdém de Frank por ele, o que é muito distante dos amantes dedicados mostrados na série. No final, Bill ajuda Joel e Ellie a colocar o caminhão de Frank em funcionamento e os dois continuam sua jornada. Bill e Joel se separam em termos estranhos, pois Bill quer ficar sozinho para lamentar a perda de seu parceiro.

 


 

*5: Desde o segundo episódio, é citado o surto originário na Indonésia, numa fábrica de farinha e grãos de trigo (um substrato perfeito para a proliferação do fungo), já está estabelecido que não há uma cura ou vacina para evitar que a infecção se espalhe, restando o isolamento e a destruição dos infectados como forma de combate ao surto.

 


 

*6: Dos vários tipos de infectados, temos os “corredores”, ainda de aspecto basicamente humano, sendo ágeis e muito rápidos, ficando neste estágio por cerca de 2 semanas; passando para o estágio de “perseguidores”, quando o fungo começa a crescer, erodindo suas cabeças, cegando-os, o que os leva a usarem a eco-localização, mantendo metade do rosto ainda intacto e o resto do corpo ainda bem humano sendo mais fortes e rápidos, além de um comportamento mais sorrateiro, levando cerca de 1 ano neste estágio; os  “estaladores”, com aquela infecção gigante tomando completamente suas cabeças, sendo bem mais fortes e resistentes do que um humano normal e muito agressivos, passando ao longo dos anos, vão se tornando  os volumosos ”baiacus”, bem maiores e fortes, sendo os mais perigosos, podendo derivar para os “trôpegos”, que surgiram no segundo game, com os fungos proliferando em suas cabeças, como uma flora, com bolsões de esporos. Existe ainda o “Rei dos ratos” um agregado de vários infectados de estágios diferentes num só, como uma colônia.


-"Não eram infectados. Eram excesso de população..."


quinta-feira, 3 de março de 2022

A volta por cima - Crítica - Séries: Pacificador - 1ª Temporada

 


Arco de redenção bronco

por Alexandre César


James Gun e John Cena se superam em série espetacular

 


Durante um período em que esteve de quarentena num hotel em Vancouver, Canadá, durante a pós-produção de e O Esquadrão Suicida, James Gunn (Guardiões da Galáxia) teve a ideia de que o personagem Pacificador poderia render um seriado que lhe permitiria discutir muitas questões pertinentes, que não poderia desenvolver num filme. Aproveitando o tempo ocioso, Gunn pôs a ‘Mão na Massa’ e em poucos dias tinha os roteiros, que submeteu a HBO Max. Rapidamente o canal lhe deu OK, e mal finalizou a aventura dos super-criminosos em Corto Maltese, já estava engatilhando o novo projeto, que se mostrou um acerto do início ao fim.
 
 
Christopher Smith (John Cena) o Pacificador e Eagly, sua águia e melhor amigo


Dirigido por James Gunn, Brad Anderson (O Operário), Jod Hill (Minha Primeira Caçada) e Rosemary Rodriguez (Jessica Jones) a partir dos roteiros escritos por Gunn, Pacificador se mostra uma série sagaz, cujo humor negro, escatológico e muitas vezes bobo (sabendo a hora certa de ser bobo...) se revela uma grande surpresa, satirizando e criticando o gênero super-heróico e o status quo vinculado a ele, colocando o dedo na ferida do lado doente da sociedade americana e, ocidental.
 
 
Adrian Chase (Freddie Stroma) o Vigilante aqui é beem diferente das HQs

Clemson Murn (Chukwudi Iwuji) recruta o Pacificador para a sua equipe
 
 
Acompanhamos o bronco Christopher Smith (John Cena de O Esquadrão Suicida) recebendo alta do hospital, após sua missão em Corto Maltese, e sendo designado por Amanda Waller a integrar uma unidade chefiada por Clemson Murn (Chukwudi Iwuji de Olhos que Condenam) agente de poucas palavras, tendo o suporte de dois conhecidos da missão passada: A bela (e casca-grossa) Emilia Harcourt (Jennifer Holland de Beauty Juice), uma eficaz agente de campo; o geek neurótico John Economos (Steve Agee de Violet). Fechando a unidade, a insegura Leota Adebayo (Danielle Brooks de Orange is the New Black) que acabe se descobrindo mais capaz para o ofício do que imaginava. A missão do grupo é localizar e eliminar uma célula e infiltração das “borboletas”, alienígenas que usando hospedeiros humanos, estão se misturando à sociedade, no intuito de dominar o mundo, o que Smith descobre da forma dolorosa na sua primeira noite, gerando uma caçada humana, colocando os detetives Sophie Song (Annie Chang de Anatomia de Grey) e Larry Fitzpatrick (Lochlyn Munro de Riverdale) em seu encalço, numa verdadeira comédia de erros tal é a sucessão de roubadas em que o grupo se mete.
 
 
A equipe de Clemson Murn tem alguns rostos conhecidos de Smit...
 
 
Revelando a paixão de Gunn por usar personagens de terceiro e quarto escalão para fazer o que quer (pois assim ele pode modifica-los narrativamente ao seu bel-prazer...) temos ainda Adrian Chase (Freddie Stroma de Bridgerton) o Vigilante, aqui um completo débil mental e alívio cômico e autor de verdadeiras pérolas do non sense, e o Judo Master (Nhut Lee de A Casa da Raven) o menos desenvolvido, embora responsável por ótimos momentos de luta. Possivelmente deverá ter mais espaço na próxima e já confirmada temporada.
 
 
... como o geek neurótico John Economos (Steve Agee)...

... e Emilia Harcourt (Jennifer Hollan) que não dá confiançaà suas cantadas

 
Do elenco de apoio ainda temos personagens como Jamil, o faxineiro do hospital (Rizwan Manji de Mira, A Detetive do Reino); Keeya Adebayo (Elizabeth Faith Ludlow de Godzilla II: Rei dos Monstros) esposa de Leota; O hilário casal disfuncional Evan (Lenny Jacobson de For All Mankind) e Amber Calcaterra (Alison Araya de Maid); o sinistro operativo Caspar Locke (Christopher Heyerdahl de Van Helsing), o vizinho (Mel Tuck) do pai de Christopher que vive discutindo com ele sobre o que é ser um herói; e o venal Augie Smith (Robert Patrick de O Exterminador do Futuro II: O Julgamento Final) pai de Christopher e líder supremacista, que o criou desde criança para ser uma arma, legando-lhe traumas profundos...
 
 
Outra adição ao grupo é Leota Adebayo (Danielle Brooks), filha de Amanda Waller

 
Aqui Gunn demonstra maestria ao mostrar o quanto uma orientação doentia pode prejudicar uma mente em formação, pois Augie ao treinar e forçar Chris por volta dos seus 8, 10 anos, a lutar (e matar) tal qual um adulto, acaba por fazer com que ele cresça assombrado por seus atos, incluindo a morte acidental de seu irmão Keith (Liam Hughes de Star Trek: Discovery). John Cena cria um personagem complexo, que por trás de seu jeito brucutu sem-noção, esconde camadas de crise existencial por se reconhecer um indivíduo vazio, encapsulado nos anos 80 e na ilusão da “América grande”, tal qual os trumpistas e supremacistas das manifestações de Charlotsville e da invasão do Capitólio.
 
 
As "Borboletas" usam hospedeiros humanos, mas precisam de alimento de seu planeta...

... tendo como guarda-costas o pequeno mas letal Judo Master (Nhut Lee)

 
Da mesma forma que seu protagonista, que gradativamente vai galgando uma escalada de redenção, não isenta de conclusões estúpidas (próprias de um neanderthal) todos os personagens também evoluem ao longo da série, uns mais e outros menos, demonstrando tal crescimento, ser fruto de uma boa carpintaria dramática.
 
O vizinho (Mel Tuck) do pai de Christopher toda hora o desafia a provar que ele é de fato um herói, comparando-o à medalhões do universo DC
 
 
Os valores de produção são de ótima qualidade, embora dentro de um orçamento de série de TV, com a fotografia de Michael Bonvillain (As Crônicas de Shannara), Sam McCurdy (Carnival Row) e Michael Wale (iZombie) adotando algumas vezes, de forma sutil, um tom semidocumental semelhante a séries como The Office, descrevendo a equipe disfuncional, auxiliada pela edição de Greg DÁuria (Velozes & Furiosos 9), Fred Raskin (Era Uma Vez Em... Hollywood!), Greg Featherman (Gatunas) e Todd Busch (El cártel) mantendo um ritmo dinâmico, mas não histérico, sabendo quando reduzir e acelerar o ritmo e evitando picotar os planos das cenas de ação, mantendo a localização geográfica dos elementos.
 
 
Ele até se apresenta numa escola no "Dia das Profissões" querendo provar ser um herói...

...mas a marca da criação de seu pai Augie Smith (Robert Patrick) o assombra

 
 
Visualmente, o desenho de produção de Lisa Soper (O Mundo Sombrio de Sabrina) caminha entre o realista (e o brega, como o carro de Chris, pintado como a bandeira americana), com inserções do fantástico, como o laboratório de Augie Smith, dentro de sua casa, mas é um “depósito de desdobramento quântico, que leva a um nódulo dimensional fora do espaço normal” ( simples, afinal é o universo DC!!!) de forma pontual, junto com a direção de arte de Catherine Ircha (Desventuras em Série), Shannon Grover (O Predador), David Hadaway (Salvation) e Sheila Milar (O Alvo Principal 2) e a decoração de sets de Rose Goronzy (O Natal dos Darlingtons), Keith Hammond e Alexandra Rojek (Batwoman) inserindo easter eggs, referenciando o passado deste rico universo narrativo.
 
Uma série de erros coloca os detetives Sophie Song (Annie Chang) e Larry Fitzpatrick (Lochlyn Munro) na caça ao Pacificador

 
De forma semelhante, os figurinos de Shay Cunliffe (Westworld) e Karin Nosella (Espíritos Obscuros) segue a mesma linha, definindo os arquétipos narrativos e sociais destes personagens, que vivem num contexto de baixa classe média, ou classe trabalhadora, com trajes comuns sem grandes sofisticações. O traje do Vigilante, do Judo Master e do Dragão Branco.
 
 
Augie Smith confecciona os capacetes de Chris, cada qual com uma capacidade...

...mas logo as circunstâncias colocam pai contra filho, levando Augie (um líder supremacista) a assumir sua persona de Dragão Branco

 
 
A música de Kevin Kiner (Jane the Virgin) e Clint Mansell (Cisne Negro) é eficiente, e como todo trabalho de James Gunn tem grande mérito na trilha musical, que a seleção de Evyen J Klean (Euphoria) e Ian Broucek (Em Terapia) inclui hits como “7 o´clock” de Quireboys. Fora o tema da abertura “Do ya wanna taste it” de Wig Wam, “11 Street kids” de Hanoi Rocks, “The Both of Us” de House of Lords, entre muitas outras, justificando o que Chris diz que “Toda hora é hora de rock!!!”
 
 
A equipe parte para o ataque, numa cena em câmera lenta


 
Os ótimos efeitos visuais das empresas Crafty Apes, NVIZ, Proof Inc., Weta Digital supervisionados por Betsy Paterson (Carnival Row), Guy Williams (O Esquadrão Suicida), Aleksandra Sienkiewicz (Pantera Negra), Jordan Nounnan (Moonfall: Ameaça Lunar) e Nathan Abbot (Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis) tiram leite de pedra, apresentando personagens marcantes como Eagly, a águia mascote de Chris, Charlie, o gorila de dorso prateado, e a “vaca”, fonte da alimentação das “borboletas”, além dos efeitos físicos por Alex Burdett (Sombra e Ossos) que providenciaram as necessárias explosões tiros e toda a sorte de efeito prático.
 
Logo a situação vai se tornando explosiva para todos
 
E ao final, a Liga da Justiça chega, mas atrasada
 
 
Ao final, Pacificador termina sua primeira temporada em grande estilo, firmando a volta por cima de James Gunn, que se reflete nos rumos que Christopher Smith deverá trilhar em sua rota de redenção bronca, bem como na relação deste com os integrantes de sua equipe (e das relações destes com Amanda Waller...) que por mais bem sucedidos que venham a ser, nunca estarão isentos de confusões, mal-entendidos e erros grosseiros.
 

"-Até a próxima amigos!!!"