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quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Antologia, serializada ou episódica? - Crítica - Animação - What if...? - 1ª Temporada

 

Brincando entre conceitos

 por Alexandre César


Série se permite caminhar entre formatos de narrativa
 

Em 1977 surgia nos quadrinhos What If...?, série antológica da Marvel Comics que se permitia contar histórias diferentes das tramas canônicas*1 da cronologia normal da editora, na sua maioria com desfechos mais trágicos e darks, permitindo aos autores, sair do terreno seguro e das soluções fáceis para exercer seus talentos criativos. Este conceito, não é uma exclusividade da MARVEL, pois a DC Comics além de já ter há mais tempo o seu próprio multiverso, já explorava situações inusitadas para seus títulos (principalmente em sua série Elseworlds, com personagens canônicos apresentados em contextos diversos do oficial.


A série animada traz o extraterrestre Uatu (Voz de Jeffrey Wright) o
Vigia finalmente para o UCM. Ele, como nos  quadrinhos, é o narrador das histórias o Guardião da Tumba nas Histórias da Cripta do Terror, podendo ser chamado de "o Rod Serling*2 da Marvel". O Vigia observa eventos históricos se desenrolarem ao longo de diferentes caminhos no Multiverso.

Algo que nas histórias em quadrinhos do título, costumava se dar ao luxo de não poupar seus protagonistas de finais às vezes trágicos, às vezes inusitados, premissa que a versão cartoon segue...

 
 

What If...?, ao ser adaptada para o formato de série animada, a primeira oficial da Marvel Studios/Disney, (sendo veiculada no Disney+) procurou sedimentar no público casual, consumidor dos filmes mas não leitor dos quadrinhos, o conceito já estabelecido no seriado Loki, mas que ainda precisava de exemplos, servindo o Primeiro episódio "O Que Aconteceria Se... a Capitã Carter Fosse a Primeira Vingadora?" como um tutorial da série, ao substituir Peggy Carter (voz de Hayley Atwell) no lugar de Steve Rogers (voz de Josh Keaton) no experimento do Doutor Abraham Erskine (voz de Stanley Tucci). Muitos criticaram o episódio por seguir demais a linha central de Capitão América: O Primeiro Vingador (2011) de Joe Johnston, e não se focando no impacto que uma super-heroína teria no panorama cultural da época, e no machismo vigente. Seria é claro um episódio melhor, mas talvez fosse muita informação para o espectador casual digerir de uma vez e desviasse o foco da sua atenção para entender o conceito de narrativa variante.


No segundo episódio "O Que Aconteceria Se... T´challa Fosse o Senhor das Estrelas?" a equipe pisou mais no acelerador da ousadia, deixando mais claro as possibilidades do conceito, mostrando o impacto no universo se T´Challa (voz de Chadwick Bozeman, se despedindo do personagem, e da vida), o Príncipe de Wakanda fosse adotado por Yondu (voz de Michael Hooker) e com sua cultura e atitude, dar um novo rumo para os Saqueadores e muitos outros personagens, sendo um dos episódios que mais desviou da linha canônica dos filmes, dando outros desenvolvimentos a personagens da série Guardiões da Galáxia (2014 e 2017) de James Gunn. Eu confesso, que nunca imaginaria T´Challa trocando de lugar com o Zé-Ruela do Peter Quill... e que coisa legal ficou!

 

O terceiro episódio "O Que Aconteceria Se... O Mundo Perdesse Seus Heróis mais Poderosos" aposta mais na trama de mistério policial, no estilo do jogo Detetive, onde Nick Fury (voz de Samuel L.Jackson) investigando uma série de mortes dos candidatos a formar os Vingadores. Revisitando eventos de Homem de Ferro 2 (2010) de Jon Favreau, O Incrível Hulk (2008) de Louis Leterrier, e Thor (2011) de Kenneth Branagh, vemos Thor, Hulk, Clint Barton, o Gavião Arqueiro e Tony Stark sendo misteriosamente assassinados, e Natasha Romanoff, a Viúva Negra (voz de Lake Bell) é incriminada injustamente; e, para piorar, Fury e Phillip Coulson (voz de Clark Greg) tem de lidar com o surgimento de Loki (voz de Tom Hidlleston) que quer satisfações sobre o assassinato do irmão. A descoberta do responsável mostra a clássica situação de inverter papéis de Herói em Vilão (e vice-versa) de forma funcional, sendo um episódio mediano.


Já no quarto episódio "O Que Aconteceria Se... o Doutor Estranho Perdesse seu Coração em Vez de suas Mãos?" aposta com louvores no lado mais dark da série nos quadrinhos que não poupava seus personagens, e aqui vemos Stephen Strange (voz de Benedict Cumberbatch) seguindo os eventos mostrados em Doutor Estranho (2016) de Scott Derrickson só que com o agravante de no acidente de carro que redefiniu a sua vida e o levou à Kamar-Taj, ele não perdeu o uso das mãos mas sim, a vida de Christine Palmer (voz de Rachel McAdams) o que o leva tempos depois a obsessivamente tentar mudar a linha temporal dos eventos que causaram a sua morte, com consequências funestas, sendo o episódio mais Além da Imaginação / Galeria doTerror da série, revelando-se uma fábula sobre perda, apego e a necessidade de seguir adiante, que Rod Serling aprovaria com louvores. É o melhor episódio na minha opinião.

 

Já o quinto episódio "O Que Anteceria Se...Zumbis?" adapta de forma desigual a idéia central da mini-série Zumbis Marvel, de Robert Kirkman (The Walking Dead) e Sean Phillips e a funde com o início da trama de Vingadores: Guerra Infinita (2018) de Anthony e Joe Russo, onde um Bruce Banner (voz de Mark Rufallo) cai num Sanctum Sanctorun de Nova York vazio, e sai procurando avisar a todos da ameaça de Thanos, mas encontra a Terra tomada por uma infestação zumbi que tornou a maioria dos heróis em mortos-vivos, famintos por carne humana. Contando com a ajuda de um reduzido número de aliados, entre ele o Homem- Aranha (voz de Hudson Thames) que tem um vlog explicando as regras de sobrevivência a a um Apocalipse Zumbi. As duas vertentes do episódio são boas: Uma no melhor estilo Zumbilândia (2009) de Ruben Fleischer com um humor rasgado, e a outra, mais dramática, dark remetendo a Madrugada dos Mortos (2004) de Zack Snyder. O problema é que as duas metades não se encaixam de forma equilibrada, além de a ameaça de Thanos ficar esquecida, mas não deixando de existir...

 

No sexto episódio "O Que Aconteceria Se... Kilmonger tivesse resagatado Tony Stark?" revisitamos os eventos de Homem de Ferro (2008) de Jon Favreau e de Pantera Negra (2018) de Ryan Coogler, só que o ardiloso Erik Kilmonger (voz de Michael B. Jordan) evita que Tony Stark (voz de Mick Wingert) sofra o acidente que lhe deixou com estilhaços no peito e, seja capturado pela organização Os Dez Anéis, não vindo à se tornar, o Homem de Ferro, abrindo caminho para ele estender a sua influência na Stark Internacional e (mostrando ser um dos grandes estrategistas do Universo Marvel) tomar o trono de Wakanda. O episódio é bom mas se ressente do fato de Kilmonger ser o tipo de personagem que se você dá muito espaço, começam a ficar evidente que suas motivações tem lá as suas razões, pois ele deixa evidente as culpas norte americanas no campo interno e externo.

 

Já o sétimo episódio "O Que Aconteceria Se... Thor Fosse Filho Único"  é uma comédia adolescente rasgada nos moldes de Curtindo a Vida Adoidado (1986) de John Hughes ou de algum personagem de High Scholl Musical (2006) de Kenny Hortega, que diverte pelo tom zoado, mas deve irritar o fã mais ortodoxo dos quadrinhos, pois temos um contexto em que Odin entregou Loki à seu pai Laufey, rei dos Gigantes da Tempestade, e conseguiu uma paz mais vantajosa, e assim, Thor foi criado como filho único (mostrando como a presença de Loki é um elemento que provoca mudanças à sua volta, seja por ação ou por ausência...) tornando ambos os regentes, meninões mimados, e como o Deus do Trovão não provocou a guerra com os gigantes, Odin não colocou o encantamento no Mjolnir de que "apenas quem fosse digno poderia erguê-lo"...e por não ter de enfrentar essa lição para aprender a ser humilde, ele como tantos herdeiros, sai pela vida seguindo suas vontades, mas sem noção das consequências de seus atos para todos à sua volta, cabendo à Capitã Marvel (voz de Alexandra Daniels) o papel de "estraga festas" ao trocar socos de alcance continental com o asgardiano. Episódio divertido (porque não?) que termina com o gancho para a conclusão, deixando claro que nesta antologia, os episódios não eram realmente desconectados entre si.

 

No oitavo episódio "O Que Aconteceria Se... Ultron Tivesse Vencido?" retoma os eventos de Vingadores: Era de Ultron (2014)  de Joss Whedon, tendo como variante a vitória do robô assassino Ultron (voz de Ross Marquand) sobre os Vingadores, fazendo o download de sua consciência para o corpo de vibranium , tomando o lugar do Visão, e nos presenteando com a quarta morte de Tony Stark (um fetiche da série) devastando a Terra, deixando como únicos sobreviventes Natasha Romanoff e Clint Barton (voz de Jeremy Renner) que procuram entre as ruínas uma arma adequada para revidar. Paralelo a isso Ultron mata Thanos, e toma para si as Jóias do Infinito, atingindo o seu objetivo de destruir toda a vida no universo, mas em meio ao silêncio chega a um novo patamar de consciência, vislumbrando o multiverso... e o Vigia, com quem tem um combate feroz. O Vigia se refugia num universo à parte e forja uma aliança com Stephen Strange (agora o Doutor Estranho Superior) e juntos forjam um plano de retaliação.

 

A sequência se dá no nono episódio " O Que Aconteceria Se...O Vigia Quebrasse Seu Juramento", que mostra o Vigia reunindo o grupo, composto de Capitã Carter, T´Challa Senhor das Estrelas, Kilmonger, Thor festeiro e Gamora (voz de Cinthia McWilliams), cujo episódio-solo não foi mostrado*3, e liderados pelo Doutor Estranho Superior, o grupo (com um perfil bem RPG, pois tem um mago, um ladrão, um guerreiro, um paladino, etc...) enfrentam o robô genocida. A ação pula por vários mundos, usando inclusive as hordas de zumbis do quinto episódio e terminando o combate na Terra devastada do oitavo episódio, contando com a adesão de Natasha Romanoff que lhe crava uma flecha que lhe hackeia com a consciência de Arnim Zola (voz de Toby Jones) que disputa o controle das Jóias  do Infinito com Kilmonger sendo confinados numa micro-dimensão, que Strange se propõe a vigiar por toda a eternidade. Terminando o conflito, todos os integrantes são encaminhados de volta a seus universos de origem, ou a algum que os acolha adequadamente.


Concluindo a sua primeira temporada, What If...? pode ser desigual, por ser basicamente escrita por apenas dois roteiristas (A.C. Bradley e Matthew Chauncey), e dirigida por só um cineasta (Bryan Andrews), o que acaba limitando série a uma só visão sobre o Universo Cinematográfico Marvel, além de simplificar conceitos em função de só trabalhar no que foi estabelecido até agora pelos filmes, como O próprio Vigia, aqui mais com as características do personagem  Eternidade*4 do que da raça dos Vigias*5 propriamente dita. Mas apesar desses percalços, a série é suficientemente divertida para cativar o grande público como um espetáculo visualmente belo Com um ótimo trabalho do designer de produção PaulLasaine e uma ótima animação  com tons são intensos e paradoxalmente suaves, com uma bela palheta de cores, o uso da técnica de animação chamada Cell Shading, onde a modelagem 3D simula uma arte 2D  dando um retrato bem fiel dos atores nos personagens, criando um quadro dinâmico, de movimento fluido.

Esperemos agora que para a próxima temporada possa-se ampliar a equipe de roteiristas e diretores, se forma a dar uma maior variedade de visões Sobre o UCM (coisa que Star Wars Visions ousou com muito maior energia ao inclusive deixar muito do que era considerado canônico de lado). apontando para grandes desdobramentos, que só dependerão agora, da ousadia de seus autores.


Notas:


 
*1: Aqui no Brasil as editoras Abril e RGE publicavam constantemente esses quadrinhos em suas revistas da linha Marvel (durante um tempo o legado da Casa das Ideias esteve dividido,sendo que a Abril publicava a série traduzida como "O que aconteceria se... ?", e a RGE como "E se...?") até a Abril assumir tudo em 1983.
 

*2: Rod Serling (1924 - 1975) - Produtor e roteirista norte americano e criador da famosa série Além da Imaginação (The Twiligth Zone) entre 1959 e 1964; série televisiva revolucionária em formato de antologia (histórias independentes entre si) abordando temas de science-fiction, terror, fantasia e suspense, foi o motor para muitas produções sobre esses temas na cultura POP dos anos 60 até os dias atuais. Mais tarde,  criaria Galeria do Terror (Night Gallery) entre 1970-1973, outra antologia, mais voltada à histórias de horror.
 
 

*3: O episódio que mostra Gamora como sobrevivente de Sakaar, e como junto com Tony Stark venceu Thanos, e forjando a Manopla do Infinito numa armadura, não ficou pronto no prazo, sendo reescalado para a temporada seguinte.
 
 
*4: A Eternidade
é uma entidade abstrata, praticamente onipotente, representando o tempo e a realidade no universo. A entidade é parte de um pequeno panteão cósmico que representa as três forças fundamentais do universo, sendo a equidade (representada por Galactus, o Devorador de Mundos), a necessidade (Eternidade, que representa todo o tempo) e a vingança (a Morte, o esquecimento). Eternidade normalmente só se manifesta quando há uma ameaça iminente para o universo. Seus poderes são a Onipotência. Habilidade ilimitada de manipular o tempo, espaço, matéria, energia, magia ou realidade para qualquer finalidade; Encarnação imortal do universo; Capaz de se manifestar fisicamente como qualquer força viva dentro da dimensão da Terra.

 Fonte: Wiki Marvel: https://marvel.fandom.com/pt-br/wiki/Eternidade_(Terra-616)

 

 

*5: O Vigia pertence a uma raça extraterrestre tecnologicamente avançada que à bilhões de anos atrás decidiu que era seu dever ajudar as raças menos avançadas do universo. Em sua primeira experiência, proposta por Ikor, uma delegação de quatro Vigias trouxe conhecimento de energia atômica para o planeta Prosilicus. Os Prosilicanos aceitaram o presente, mas o usaram para desenvolver armas nucleares e participaram numa guerra auto-genocida. Envergonhados de suas ações, os Vigias juraram nunca mais interferir nos assuntos de outras raças.Ikor, criou um código de ética baseado em estrita não-interferência e observação passiva que era tão estrito que, se outro ser morresse aos pés de um Vigia, este não ofereceria ajuda. Com seu novo código estabelecido, os Vigias evacuaram seu mundo de origem e se realocaram por todas as galáxias, cada Vigia escolhendo um sistema estelar onde pudessem observar e gravar mentalmente a vida de outras raças com o objetivo de, eventualmente, compartilhá-la com seus companheiros Vigias. O filho de Ikor, Uatu, escolheu o sistema estelar da Terra como seu novo lar e se estabeleceu na "Área Azul" da lua da terra, uma instalação abandonada construído pelo alienígenas Kree, de onde ele observou a Terra por bilhões de anos. Mas, ao longo dos séculos, Uatu ficou tão apaixonado pelas formas de vida que observava que ele ocasionalmente violava seu voto de não interferência quando a existência da Terra era ameaçada.

  Fonte: Wiki Marvel: Vigia: https://marvel.fandom.com/pt-br/wiki/Uatu_(Terra-616)


 


sábado, 23 de outubro de 2021

O multiverso auto-contido - What if...? - 9º episódio - 1ª Temporada

 


Fim de uma antologia 

por Ronald Lima


 Conclusão do episódio duplo aponta novos rumos

"Reunindo a banda": Kilmonger, Gamora, T´challa, Capitã Carter e Thor são reunidos para uma missão suicida

E finalmente What If...?, série da Disney+, chega a conclusão de sua 1ª temporada tendo apresentado histórias variadas do Multiverso Marvel.

Pode ser difícil para um programa de antologia realizar um trabalho completo e coeso porque a cada semana surgem novos personagens e histórias, mas
What If...? trouxe ao episódio final uma real sensação de conclusão e finalidade. Toda a temporada foi construída em direção a esse final. O episódio 
"E se ... O Vigilante Quebrou Seu Juramento?" oferece uma tipica aventura de super-heróis cheia de ação. 

As expectativas que os eventos ocorridos em What If...? possam ser conectar com o Realidade Central do UCM que conhecemos aumentam.


Poster de Simon Delart

No clássico quadrinho de What If...? criado em 1977 a proposta era apresentar uma realidade alternativa a partir de um ponto de divergência de histórias já conhecidas, porém sem a necessidade de que essas histórias continuassem em um possível Universo Paralelo, para cortar as expectativas e ao mesmo tempo criar um roteiro de impacto os finais em geral eram trágicos cujo o intuito era reforçar o que estava estabelecido como a opção correta, afinal porque alguém na época iria querer continuar lendo mais histórias de um Universo onde Wolverine depois de eliminar o Hulk em sua 1ª missão como a Arma X entrar em seguida para a Irmandade do Mal e não nos X-Men para acabar sendo morto por Magneto durante um ataque contra a Jean Grey? É tragédia demais além de não permitir uma continuidade com os personagens envolvidos, basta uma história mesmo e pronto. A MARVEL Comics sempre tratou com muita cautela o conceito de Universos Paralelos. A Organização AVT para controle de variantes temporais foi criada em 1986 por Walt Simonson e Sal Buscema. 

Shuma Gorath se faz presente em dois episódios - um ser primordial que consegue transitar em diversos Universos.

Observamos que durante essa 1ª temporada de What If...? começou  apresentado uma pequena variação de uma história já conhecida para facilitar ao espectador melhor entendimento em conectar o Universo Cinematográfico Marvel ao conceito de Multiverso Marvel surgido após o seriado Loki. A cada episódio ousando um pouco mais e propositadamente deixando finais abertos induzindo a expectativa de que ocorreria uma conclusão em comum onde reunisse cada um deles, o que de fato ocorreu. O confronto contra o tentacular ser interdimensional Shuma Gorath em dois episódios fez surgir uma pergunta: haveria um inimigo em comum que viesse ao confronto de vários universos? Outros vilões se apresentam: Ego - O Planeta Vivo, um Thanos "Zombie" e quem sabe um Dr. Estranho Supremo completamente arrasado e vingativo após por ter feito o que fez no Episódio 4. Mas eis que ao final do episódio 7 surge um adversário que de fato seria o super vilão da vez: Ultron.

No episódio 8 deparamos com um Ultron que consegue conectar-se ao seu corpo de Vibranium antes que esse fosse capturado pelos Vingadores além de obter a Manopla do Infinito com todas as Jóias ali Incrustadas. Um inimigo e tanto!


O Vigia criado em 1963 por Stan Lee e Jack Kirby

O Vigia surge como personagem em 1963 criado pela dupla Jack Kirby e Stan Lee. Nos quadrinhos os Vigias utilizavam seus vastos conhecimentos para acelerar a evolução de espécies mais atrasadas, para consternamento de todos, seus ensinamentos foram utilizados para fins bélicos em alguns planetas, desejando não se tornarem diretamente responsáveis por mais mortes criaram um juramento de não interferir no curso de vida de nenhuma raça, passando apenas a observar os eventos. Uatu foi nomeado o Vigia da Terra. Em What If...? cartoon Ashley C. Bradley e Matthew Chauncey retornam com o personagem ampliando seus poderes, Uatu não apenas observa a Terra e sim a todo Multiverso a partir de um local ainda não denominado semelhante a um corredor ladeado por infinitos prismas onde cada um dos prismas representa um Universo, aqui ele também está sob juramento de não interferir porém assim como nos gibis o Vigia possui um enorme censo de justiça e forte apego e respeito aos seres que acompanha. Em  uma conversa franca com a Viúva Negra (Lake Bell) e no final da temporada ele expõe tudo que sente.

Hank Pym cria Ultron 1. Que rapidamente evolui para Ultron 5



Ultron surge em 1968 criado por Roy Thomas e John Buscema. Nos quadrinhos o responsável por sua construção foi Dr. Henry Hank Pym que implementou seu padrão cerebral em sua criação. Ultron rapidamente desenvolveu consciência própria e construiu para si um corpo de Adamantium designado-se a si mesmo como Ultron 5 depois de 4 tentativas de evolução a partir de sua desengonçada forma original, essa numeração se tornará uma característica curiosa do personagem, a cada suposta destruição definitiva ele retorna com alguma melhoria e numeração acima à anterior. Ultron passou considerar a si mesmo como a forma de vida perfeita, ao contrário de toda vida orgânica, principalmente a vida humana. Roy Thomas certamente se inspirou no Romance - Frankenstein, O Prometeu Moderno - da escritora Mary Shelley para desenvolver na personalidade de Ultron esse profundo ódio contra seu criador e contra a Humanidade. Por inúmeras vezes Ultron enfrentou os Vingadores e outros tantos Super Heróis da MARVEL, inclusive chegou a se conectar a armadura do Homem de Ferro. Seu ponto alto foi na saga "A Era de Ultron" de Brian Michael Bendis, onde conquista de fato todo o Planeta para recria-lo conforme sua imagem e vontade. O Filme Vingadores: A Era de Ultron de 2015 tem seus méritos mas passa longe do que ocorreu nos quadrinhos, muito longe!


            Stephen Strange e o Vigia instruem os integrantes sobre quem é Ultron

O Vigia (Jeffrey Wrigth) convoca personagens de cada um dos episódios a exceção do episódio 3 para formar um grupo interdimensional. Essa equipe é composta por: Capitã Carter (Hayley Atwell), T´Challa o Senhor das Estrelas (Chadwick Boseman)Killmonger (Michael B. Jordan), o Thor festeiro "príncipe encantado" (Chris Hemsworth) Gamora (voz de Cinthia McWilliams), cujo episódio-solo não foi mostrado*1, todos  liderados pelo Doutor Estranho Superior (Benedict Cumbernatch), perceba que esse grupo possui um perfil bem RPG, vejamos: temos um clérigo, o mago, um ladrão, inclui na lista um bárbaro, uma paladina, uma elfa (ou ranger) e o "anão" ferreiro. 

A Paladina, o Guerreiro, o Ladrão, o Mago, o Anão Ferreiro e a Elfa liderados pelo Clérigo.

A explanação se dá na recriação do Pub que era frequentado por Steve Rogers e Peggy Carter, tendo sido recriado pelo Doutor Estranho à partir das lembranças dela, pois precisava de um ambiente acolhedor para que todos se sentissem à vontade e ali traçar as diretrizes para enfrentar o robô genocida.

A pedra da alma é a chave para vencer esta batalha. É o que nossos heróis tentarão se apoderar para alimentar o triturador de pedra infinita de Gamora.

Gamora irá usar o "Esmaga-Infinito" criada para acabar com as "Jóias do Infinito"


                                             ALERTA DE SPOILERS
O Vigia envia os recém nomeados Guardiões do Multiverso para o Universo estéril do episódio 8, afinal Ultron (Paul Betanny) faz uma busca por muitas formas de vidas inteligentes portanto um lugar sem vida é um bom local para se preparar e realizar o confronto, e o Vigia teria ali duas cartas na mão muito úteis. Se você achou que esse grupo não seria páreo para derrotar o Ultron Infinito sua dúvida irá aumentar ainda mais quando o Poderoso e sem noção Thor quase estraga tudo logo de cara! Mas vale a pena ouvi-lo gritar "Viva Las Vegas"*2 e partir pra cima! Daí em diante o episódio é uma batalha total de vários heróis lutando contra um vilão imbatível, um roteiro com pegada bem gibi. A animação tem inúmeros efeitos visuais vibrantes e o uso de câmera super lenta nas tomadas de ação mais cruciais, como sempre afirmei aqui as lutas em What If...? são o ponto forte dessa técnica de animação Cell Shade e palmas para a diretor de animação Millo Barnett, destaque para a trilha sonora de grande impacto de Laura Karpman .

Viva las Vegas!

O episódio 9 renderia um bom filme na tela contra um Ultron tal qual não se via nos quadrinhos a muito tempo. Seu ponto fraco para mim é o mesmo que o personagem dos quadrinhos, ele é arrogante e egocêntrico e não tem Joia do Infinito que resolva isso. Contra um Ultron Infinito é bom contar com um Dr. Estranho Supremo. Hugo Strange como todo bom Mago de RPG invoca feitiços de proteção além de conter violentos golpes cósmicos, de fato é impressionante o nível de poder que alcançou. Se tornou um tanto resignado mas tudo bem, uma característica forte nos personagens da MARVEL é a de possuir algo que os torne mais possíveis.

E não adianta rolar um D 20 contra o Mago Supremo.

A ação faz uso inclusive as hordas de zumbis do quinto episódio e apesar da participação da Wanda-Zumbi, esta não se mostra uma adversária à altura de Ultron que rapidamente os elimina sem esforço.

acho que Ultron com o mesmo rosto de seu marido lhe permitiu um vacilo fatal... Sei lá poderiam ter lhe permitido um pouco mais, sua participação ficou apenas para colocar o episódio zumbi na lista.


A poderosa e assustadora Wanda-zumbi infelizmente tem uma pequena participação

Contando com a adesão de Natasha Romanoff a luta se intensifica, afinal todos têm um mesmo inimigo comum e Ultron se mostra um osso duro de roer causando destruição com muita facilidade e só não dando cabo dos integrantes do grupo graças aos encantos de proteção. 

Escudo ao Quadrado: Capitã Carter e Natasha Romanoff cada uma com o seu

Juntas, Natasha, com o escudo do Guardião Vermelho e a Capitã Carter com o seu de vibranium, enfrentam Ultron em combate corpo-a-corpo de maneira espetacular, não lhe dando tempo de reação adequada se bem que uma Inteligência Artificial poderia realizar milhares de cálculos, e considerações em frações de segundos além de estar ainda de posse de algumas jóias. Seu desprezo pelos adversários e auto-confiança devem estar atrapalhando e algumas frases ditas por ele demonstram isso, ocorre o mesmo nos comics. Enfim, nada como ver duas ótimas personagens e os poderosos  escudos em ação. 
Infelizmente não tivemos na sequência dos episódios da série aquele que nos apresentaria a Gamora de um Universo Alternativo, sem esse background o Triturador de Jóias fica parecendo um recurso apelativo. Seu confronto cara a cara com o poderoso androide ao usar esse Triturador ao menos mostrou um pouco do seu espírito guerreiro, Ultron tremeu. Quando o episódio da Gamora for ao ar você o encaixa como o episódio 7 ou 8 e os demais avançam uma casa.

Girl Power: Carter  & Romanoff se mostram uma dupla articulada seja em qualquer universo

Ao longo do combate, Ultron vai rechaçando as investidas do grupo, mas gradualmente a reação dos heróis vai mudando a maré até Natasha Romanoff  lhe cravar uma flecha que o hackeia com a 2ª carta na manga que o Vigia guardou, é a consciência de Arnim Zola (voz de Toby Jones), que age omo um vírus em Ultron. Killmonger finalmente entra na briga mas não ao lado dos Guardiões do Multiverso e tampouco ao lado de Ultron, obviamente Killmonger escolhe a si mesmo como solução para a disputa.

Virada: Erik Kilmonger revela as suas reais intenções

Arnin Zola obtêm o controle de Ultron e disputa o controle das Jóias do Infinito com Kilmonger e Hugo Strange aproveita o inesperado conflito para confina-los em uma micro-dimensão em um permanente conflito sem vencedores, um típico final de revista em quadrinhos. Muito bom.

As joias são minhas! Não! Elas me pertencem! Que pertencem a você o quê! 

Em What If... ? há muita ação que poderia caber em qualquer um dos filmes dos Vingadores e nas demais produções do MCU. A animação é muito cativante, as cores e os detalhes de cada episódio são incríveis. Até mesmo os planos de fundo das cenas de luta demonstram zelo no acabamento.


Stephen Strange aproveita a disputa entre os antagonistas... "Mandrake faz um gesto hipnótico"


O Vigia no capítulo anterior entrou em disputa física contra Ultron, algo bem inusitado para o personagem, nos gibis lembro de algo semelhante contra Galactus, para um sujeito que decidiu apenas observar os acontecimentos ele se mostrou bem preparado, contudo foi sua capacidade de raciocínio que conseguir derrotar Ultron incluindo a escolha de traidor no grupo, o que se esperar de Killmonger não é? Afinal foi o que ele fez durante todo seu episódio 6. 
 
Não contavam com a minha astúcia

O que tornou todas essas histórias funcionarem, além das sequências de ação, são os heróis, no caso as diferentes versões de heróis conhecidos que se mostraram muito menos disfuncionais de como eles se comportam nas produções do MCU
O tempo mais curto da produção os tornaram mais práticos e um fator dentro desse raciocínio está justamente no ato de criar sobre personagens já existentes acrescentando ou removendo virtudes ou defeitos. Durante a série cada um deles teve seu próprio momento para brilhar e a história toda pareceu uma conclusão lógica para a temporada, principalmente depois dos eventos no Episódio 8.
Curiosamente as maiores críticas recaem justamente nas mudanças que foram feitas nos personagens críticas como essa parece não dar conta que a principal premissa do título é justamente a perspectiva da mudança, a única na verdade.

O  Vigia recoloca os Guardiões do Multiverso cada qual em seu lugar de origem...

Concluindo, o Vigia  despacha os heróis cada qual para o seu universo, Sendo Natasha Romanoff a única discordante pois o seu mundo está morto, o Vigia a transporta para o universo do terceiro episódio, onde a Viúva Negra havia sido morta, preenchendo a vaga nos Vingadores locais, em pleno combate contra Loki (lembremos que ele está se vingando da morte de Thor nesse Universo). Nick Fury imediatante percebe que não é a mesma pessoa que conheceu mas devido as circunstâncias prontamente a aceita e a Vingadora tem seu novo lar assegurado. Wanda Romanoff em todos os Universos é a Vingadora que de verdade mais se dedica de corpo e alma a equipe e mereceu aqui um final recompensador a altura. 

...com exceção de Natasha Ramanoff, que vai para onde há vaga para uma Viúva-Negra

 Ao final, a primeira temporada de What If...? se não é perfeita, é suficientemente divertida para divertir o público com um espetáculo visualmente belo e dinâmico, apontando para grandes desdobramentos, que só dependerão agora, da ousadia de seus autores.
 
Esperemos agora o que o futuro trará... Uma coisa é certa, teremos mais Capitã Carter.

Notas:

*1: O episódio que mostra Gamora como sobrevivente de Sakaar, e junto a Tony Stark venceram Thanos, forjando a Manopla do Infinito numa armadura, esse episódio não ficou pronto no prazo, sendo reescalado para a temporada seguinte.

*2: A canção Viva Las Vegas foi gravada em 1964 por Elvis Presley e serviu de tema para um filme de mesmo nome muito elogiado por sua trilha sonora somada a participação da atriz/ cantora e bailarina Ann- Margret que interpreta uma personagem que finalmente trás um contra-ponto ao estilo galanteador "conversa fácil" dos personagens de Elvis Presley. A canção está em disputa judicial para que se torne símbolo da Cidade de Las Vegas. Por ser uma canção que exalta um estilo de vida de ganhos e perdas fáceis muitas bandas passaram a usar trechos da canção em tom crítico a partir do surgimento do movimento Punk.

"- Amigos, acho que isso é o início de uma longa parceria..."